
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Um velho lobo do mar

quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Parto sem dor

Minha mãe não é e nem nunca foi chorona. Só a vejo chorar quando morre alguém querido e olhe lá. Não que minha mãe seja durona. Longe disso. É das pessoas com o coração mais mole que eu já conheci, daquelas que os com caráter duvidoso adoram passar a perna. Só não é chorona. Quando pequeno lembro dela chorando junto comigo e com meu irmão por conta de um filme triste até dizer chega chamado "Imitação da vida", com a Lana Turner, uma atriz que muitos de vocês nem devem saber de quem se trata. A história? Um dramalhão da década de 50, creio, onde a filha da empregada rejeitava a mãe de todas as maneiras e só se dava conta do amor que sentia por ela no dia em que volta pra casa e encontra a pobre da mãe num caixão, sendo velada. Um horror.
A outra vez que eu lembro de ter visto minha mãe chorar foi no último capítulo da primeira versão de "Pecado Capital" (olha eu aqui entregando minha idade!), novela da Janete Clair, quando o personagem de Francisco Cuoco, Carlão, era assassinado a tiros com uma mala de dinheiro nas mãos. Era o Paulinho da Viola cantando o tema da novela na TV e minha mãe aos prantos na sala. Se não estou enganado meu irmão também chorou. E muito. Já eu não me lembro se chorei. Tenho quase certeza que não.
Resolvi escrever sobre choros e minha mãe porque esta semana estive com uma amiga que teve sua primeira filha ano passado, de parto normal, e ao relatar o parto disse que teve a impressão de ter chorado horrores, de ter gritado um outro tanto, "porque parto normal não é mole não", disse ela. Mas meses mais tarde, ao tomar coragem para ver o vídeo que o marido fez dela parindo, pode constatar que não gritou tanto assim e que o choro mais parecia manha. Esta minha amiga é grandalhona, um mulherão de 1,86m, cadeiruda e engraçada até dizer chega. Disse que se apaixonou pelo anestesista quando, ao final do parto e para aliviar as contrações, ele aplicou nela uma dose de relaxante para que ela tivesse forças para expulsar o bebê sem morrer de dor. Foi o bastante para que ela caísse de amores pelo doutor. Ela disse que os olhos ficaram vidrados no anestesista, tipo amor à primeira vista. "Ou primeira agulhada", eu completei. E tudo com o consentimento do maridão, óbvio.
Foi aí então que eu lembrei da minha mãe, que ficou famosa no Hospital da Polícia Militar em junho de 1971, quando deu à luz meu irmão. Marcelo nasceu com quase 5 quilos, um bebê enorme, ainda mais que saiu da barriga da minha mãe, uma mulher de 1,52m e de quadris estreitos. Ele teve de ser tirado a fórceps, uma espécie de gancho de ferro que enfiavam nas mulheres quando os bebês custavam a sair. Reza a lenda que minha mãe não deu um ai sequer. Nem mesmo quando a enfermeira, uma mulatona gorda, subiu em sua barriga para forçar a saída do meu irmão. Minha mãe, que desde aquela época já devia ser dona de uma fé sem tamanho, conta que fazia força enquanto mordia um pedaço de pano. E só. Ela diz que o meu parto foi mais tranquilo, que eu era um pouco menor que meu irmão e que eu não precisei de fórceps. Saí numa boa. O certo é que tanto num parto quanto no outro ela não fez escândalos, não gritou, não chorou e nem reclamou de nada. Pensavam até que ela tivesse feito curso de parto sem dor. "Que nada!", diz ela, toda orgulhosa. O certo também é que no decorrer desses 40 anos de convívio com a dona Lígia, a minha mãe, nunca ouvi ela reclamar de quase nada. E nem chorar. Não que não tivesse motivos. Mas melhor nem comentar porque daí quem vai começar a chorar sou eu. Até porque minha mãe é forte pra caramba.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Barriguinha cool

quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Para São Judas Tadeu nada é impossível!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Entre músicas, gravuras e poesias

Nem sei onde ficava aquele quarto. Como um quadro torto na parede que eu cismei de ajeitar e nunca mais voltei a perceber. Como a sombra acompanhando tudo eu me encontrava ali. De pé. À espreita, a espiar, sem entender. Bastava ver para querer saber como é que é.
Ela permanecia intacta como se nada ou ninguém pudesse interferir. Ferir como só as mulheres sabem. Sonhar como só os mais ingênuos fazem. Deitar e rolar e sentir que é só deixar e ser feliz. Como da primeira vez eu também me permiti o doce gosto do mel da vida. E para não perder nenhum detalhe foi que eu deixei as luzes do quarto bem acesas.
Até que ela resolvesse apagá-las. Mas eu continuaria ali."
A ilustração deste post é uma gravura de Ray Caesar.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Mora na filosofia

Lembrei disso no domingo ao final da tarde, na casa do Raul, conversando com Fred e Rodrigo, outros dois amigos, acompanhados de um delicioso doce de banana feito na hora. Por mim, claro. O Rodrigo falava sobre as muitas e já conhecidas manias de seu pai, entre tantas, a de ter tudo organizado no porta-luvas do carro. Não importava se era na Variant azul 1972 ou no Del Rey da década de 90, a gente encontrava desde uma simples lixa de unha - é, o pai do Rodrigo tinha uma coleção de lixas de unha e não me perguntem o por quê - até caixa de ferramentas e sacos de vômito. Tudo devidamente embalado e milimetricamente guardado. E não estou exagerando. Parece que agora, depois de uma certa idade, a coisa piorou. E mais: Rodrigo já se deu conta que também sofre do mesmo mal. "Isso a gente já sabia", retruca Raul.
Aí eu comecei a pensar nas figuras que já cruzaram meu caminho e que, de certo, sofrem de TOC. Ângela, uma amiga da minha mãe, e sua insuportável mania de limpeza; um filho de uma prima e sua paranóia em lavar as mãos o tempo todo; o rei Roberto Carlos e sua infinidade de esquisitices; a ex-secretária da produtora onde minha cunhada Cris trabalhava e seu excesso de preocupação com as agendas de todos os funcionários; uma vizinha do prédio em que eu morava quando solteiro e sua curiosidade interminável pela vida dos outros; uma ex-professora de inglês e sua cobrança absurda por um sotaque perfeitamente britânico; e por aí vai.
Interessante é que num primeiro momento a gente pode até nem se dar conta e mesmo achar engraçadas as manias de um ou de outro, mas depois, com um convívio mais estreito, o que era engraçado fica chato pra caramba. Imagina ter uma pessoa o tempo todo pegando no seu pé por conta de uma poeirinha de nada em cima do móvel ou a irritação de ter ao seu lado uma criança querendo lavar as mãos sem parar? Aí eu paro e penso se também não sofro deste tal de TOC. Se bem que acabo de lembrar da desordem do meu armário e da bagunça das minhas gavetas e não. Definitivamente eu não sofro deste mal. Já o Aristóteles...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Usando máscaras
Foi aí então que me fez pensar mais uma vez em tudo aquilo que tenho pensado nesses últimos meses. Por que será que a gente precisa estar sempre representando um personagem? Por que será que não nos basta sermos nós mesmos? Por que é tão difícil não usarmos máscaras? Que raio de realidade é esta que resolvemos criar para nós mesmos? Isso tudo dá um nó na minha cabeça, confesso. Ainda mais agora que resolvi atender aos apelos dos mais chegados e estou lendo um livro de autoajuda chamado "Um novo mundo - Despertar de uma nova consciência", de um tal de Eckhart Tolle. O livro é bom pra quem anda numa fase péssima feito eu, quando nada - ou quase nada - parece dar certo; quando os quarenta anos se transformam numa pequena crise; quando as oportunidades parecem sumir; quando o mundo parece ruir; quando tudo está uma merda.
É aí que eu paro e penso qual foi o personagem que encarnei todos estes anos. Ou se não encarnei personagem algum, começo a achar que deveria ter encarnado. Até porque eu vejo que estou sempre rodeado de gente que encarna um personagem atrás do outro e está sempre bem, com suas vidinhas caminhando como elas devem caminhar. Lembro que uma vez uma astróloga, Cristina Tolentino, ao ler meu mapa astral há quase 20 anos, me disse que eu deveria aprender a usar máscaras vez ou outra. Eu achei aquilo esquisito pra caramba, mas com o tempo fui entendendo o que ela quis me dizer. Só não sei se nestes 20 anos que se passaram eu aprendi a usar as tais máscaras. Acho que não. Ou então o personagem que interpreto se faz de cego e banca o bonzinho, o bobo da corte. E eu odeio gente boazinha demais. Na verdade tenho odiado cada vez mais esse tipinho. Será que é isso que tem me deixado insatisfeito comigo mesmo? O fato de descobrir agora, aos 40 anos, que vivi este tempo todo fazendo o papel do bonzinho?
- Senhor diretor, me arruma outro personagem pra eu interpretar nesta história, por favor!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Entornando o caldo

quarta-feira, 15 de julho de 2009
O caldo é verde

Mas já que a Lena perguntou pelas receitas _ umas outras tantas pessoas também têm perguntado_, vou aproveitar a frente fria que baixou na cidade pra publicar uma receita fácil pacas pra esquentar a temperatura. Ou o clima, se for o caso. Trata-se de um caldo verde. Confesso que até pouco tempo atrás eu achava que fazer caldo verde dava o maior trabalho. Que nada! Coisa simples, rápida de se fazer e que fica uma delícia.
Ingredientes:
1 molho de couve manteiga
4 batatas grandes
1 cebola grande
2 dentes de alho
1 paio cortado em fatias finas
Azeite
Sal e pimenta a gosto
Modo de Fazer
Descasque as batatas, a cebola e os dentes de alho. Coloque numa panela, cubra com água e leve ao fogo com um fio de azeite. Enquanto isso, fatie a couve bem fininha e reserve. Quando a batata estiver cozida (espete com um garfo) desligue o fogo. Espere esfriar uns cinco minutinhos e bata tudo no liquidificador. Depois de batido, volte o creme de batatas para a panela e junte a couve e o paio fatiados. Deixe ferver por mais 10 minutos e mande ver. Se não se ligar com esse papo de calorias, acompanhe com umas torradinhas. Esta receita rende umas 6 porções.
Se quiser variar, ao invés de couve você pode colocar alho poró ou agrião ou aspargos ou mais o que a sua imaginação mandar. Neste caso, dispense o paio. Ou não.
Bom apetite.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Ninguém é o que é ou O fantasma de Eva Klabin

Este meu amigo me disse ainda que passar uma temporada em Londres é como passar pelo purgatório e que se você sobrevive àquela selva sua vida nunca mais será a mesma depois. É como um estágio, ele disse. Um estágio que eu nunca vou fazer, diga-se de passagem, pois se é pra passar por purgatório, que pelo menos eu esteja perto daqueles que amo, falando a língua que eu domino, pisando em terras que eu conheço. Cada vez mais eu tenho certeza de que não vim parar nesta vida pra resolver minhas questões longe de tudo aquilo que tenho como referência. E aqui não há um tom de crítica a quem escolhe ou se vê obrigado a escolher viver num outro país. Acho que se eu não tivesse me casado tão cedo também encararia uma aventura destas. Hoje, aos 40 anos e com 3 filhos, não mais. Quero, sim, conhecer Londres, visitar a Tate Modern, os pubs, passear em Candem Town e procurar saber se é verdade que o Reino é unido. E só. Até porque, em termos de vanguarda e produção artística, hoje em dia vejo mais Berlim como pólo cultural do que qualquer outra cidade da Europa. E este meu amigo também.
Por falar em vanguarda e produção artística, semana passada estive num evento no Cine Glória chamado Capacete, que a cada 15 dias reúne alguns artistas plásticos para conversarem a respeito de suas produções e de seus processos criativos. O convidado da noite era o artista plástico Ernesto Neto, de quem eu já conhecia alguma coisa, porém nunca tinha participado de um papo cara a cara com ele. Figuraça, completamente descabelado e amarrotado, Ernesto é daqueles que tem muito o que falar e a plateia fica completamente hipnotizada por ele. Quem estava presente pode ver slides com suas obras e ouvir como aquilo tudo ia surgindo, desde os materiais usados até ao que tinha dado errado. Além da generosidade, que em muito me fez lembrar do meu querido e saudoso amigo Sérgio Bernardes, o bom humor também é peça fundamental na vida do artista. Prova disso foi a história de sua instalação na Fundação Eva Klabin, há 5 ou 6 anos, quando cobriu de lençóis brancos todas as obras de arte existentes na casa por "achar aquilo tudo lá muito careta" e teve a certeza de que o fantasma de Eva Klabin existe e vive nos cômodos da Fundação. Isso porque os seguranças de lá falam dela como se ela estivesse viva, talvez com medo de que ela puxe os pés deles durante os cochilos noturnos.
E enquanto eles cochilam eu continuo querendo ser o que eu sou e não apenas qualquer coisa.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Rock with you, Michael!

Eu lembro do Michael Jackson em duas fases da minha vida. A primeira eu era mesmo muito moleque e ouvia uns discos da Motown numa vitrolinha portátil na casa da minha prima Mônica. Lembro que era um som cheio de suíngue, diferente de um tal de Morris Albert que eu era obrigado a ouvir na mesma época, só que na casa da minha madrinha. Mas esta é outra história e aposto que ninguém aqui vai querer saber quem é esse tal de Morris Albert. Ou vai? Os Jackson 5 eram muito melhores, podem ter certeza, e aquele garotinho de cabelo black power me chamava a atenção. Entre todos os irmãos era o mais carismático. Chamou a atenção do mundo todo. Do sistema, inclusive. Mas eu era muito criança.
Anos mais tarde ele rapareceu com seus megassucessos e com seus megaproblemas. Eu já era adolescente e ele devia ter uns vinte e poucos. Ainda era negro. Nariz largo e cabelos enrolados. Usava um terno até que maneiro e se não me engano foi quando veio com Rock with you e Don´t stop till get enough. Ouvi e dancei muito aquele som. Depois Beat it foi outra que curti. Billie Jean eu achava um saco e com Thriller ele me fez prestar mais atenção nos seus clipes. E só.
Toda aquela transformação, toda aquela excentricidade, todas aquelas cirurgias plásticas, as máscaras, as varandas dos hotéis, Neverland, o infantilismo, as dívidas, os processos, os escândalos. E no meio disso tudo Elisabeth Taylor. Achava aquilo muito chato.
Mas não posso negar a genialidade e a importância de Michael Jackson para o mundo da música e para o showbusiness. Hoje li num artigo do jornal A Folha de S.Paulo assinado pelo cantor Paulo Ricardo - ele mesmo - que dizia que Michael morria à medida que perdia sua cor. Tal e qual um fax. Achei bastante interessante. O ex-RPM afirmava que o que o cantor fez depois de Thriller, considerada sua obra-prima, deixou a desejar e ele não resistiu às impiedosas comparações. Talvez Paulo Ricardo tenha autonomia para falar sobre isso. Talvez ele até devesse escrever um livro de auto-ajuda baseado em sua experiência como um astro da música pop. De qualquer maneira agora Inês é morta. E Michal Jackson também.
Rock with you pra mim é um clássico. Volta e meia ponho pra tocar. É daquelas músicas que se Deus, na hora da minha partida, me der a opção de levar um play list, vai comigo.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Eleanor Rigby

O tempo passou. No comecinho dos anos 90 tinha um programa chamado Documento Especial, na extinta Rede Manchete, que eu gostava muito. Era um híbrido de Globo Repórter com Amaral Neto, outro que eu acabei de tirar do fundo do baú. Volta e meia tinha umas pautas interessantes e uma certa noite o programa era sobre o Santo Daime e me trouxe de volta aquela curiosidade esquecida lá com o Flávio Cavalcanti. Por coincidência eu tinha um amigo dos meus tempos de caserna, o Ricardo, que frequentava a igreja do Santo Daime em São Conrado. Pedi pra ir com ele. Régis, outro camarada nosso, também quis ir. Fomos os 3. De ônibus.
Lembro que ao sair de casa avisei minha mãe onde eu iria. Ela não entendeu muito bem do que se tratava mas não fez nenhuma observação a não ser "leva uma casaco porque vai esfriar". E esfriou mesmo. A igreja fica no meio da Floresta da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo, de cara para a Pedra da Gávea. Um lugar mágico. Especial. E eu sequer imaginava que viveria momentos mágicos e especiais ali. Desde aquela primeira vez. De um lado, os homens. Do outro, as mulheres. Todos devidamente paramentados. As mulheres, de saia plissada verde e uma coroa; os homens, de terno branco. Ambos com uma estrela de Davi dourada no peito. Os cânticos, que eles chamavam de hinos, lindos, diziam exatamente o que precisávamos ouvir e nos ensinavam as histórias que nunca tivemos muita paciência para ler na Bíblia. O bailado era pra lá e pra cá, num vai-e-vem inebriante. No meio disso tudo era servido o chá. Amargo até dizer chega. Muito pior que chá de boldo. Até hoje, só de lembrar, sinto minha língua travar. E de repente o silêncio. Luzes se apagavam. Só velas acesas sobre uma mesa repleta de cristais e imagens no centro do salão. Todos concentrados. Todos tentando se aquietar e aquietar suas mentes. Uns em posição de lótus, outros sentados em cadeiras de plástico e alguns de pé, mas todos no mais profundo silêncio.
Na semana seguinte tive de levar minha mãe. Meu irmão também quis ir. Depois foi a vez de uns amigos, do meu pai, de uma tia, um tio. Até minha mulher foi. Na época a gente estava só começando a namorar, mas eu já não ia com tanta frequência. Eu já me deixava consumir pelo trabalho em produção de comerciais, já estava contaminado pela correria do dia a dia. Foram quase 5 anos no Daime. Quase 5 anos que me valeram por muitos anos de análise, talvez. Ali, naquela igreja, era só eu, o eu que existe em mim e o eu que eu não conhecia. Continuo não conhecendo muito bem, pois a cada dia me apresento um pouco mais. Ou me escondo, não sei. Só sei que hoje acordei mais pra Beatles que pra Rolling Stones e acabei escrevendo sobre o Daime. Dá pra entender?
A foto que ilustra este post é da estátua de Eleanor Rigby, em Liverpool. Não sei se ela existiu de verdade, mas a música é linda, uma das que mais gosto da dupla Lennon e MacCartney. Fala da solidão dos mais velhos. "Oh, look at all the lonely people".
terça-feira, 16 de junho de 2009
A cruz de malta é o meu pendão!

Mas o papo aqui não é sobre namoro e, sim, sobre futebol. Dos 12 aos 20 anos eu só torcia em época de Copa do Mundo. Acho que torcia muito mais por conta da farra que fazíamos do que propriamente pela seleção, até porque, só fui ver a seleção brasileira voltar a ser campeã quando eu já tinha 25 anos, na Copa de 94. Antes, só em 1970, mas nem conta, já que eu acabara de completar 1 ano de idade e de certo que não lembro de nada. Só que aos 20 anos fui pai pela primeira vez _ não disse lá em cima que eu tinha talento com o sexo oposto? _ e de um menino, o Kaê, que antes mesmo de completar um aninho já sabia falar vasco. Juro! V A S C O. Assim, com todas as letras. Lembro que eu estava na varanda da casa dos meus ex-sogros e seu Celso, o avô, com meu filho no colo, quando do nada ele solta o verbo e diz "vasco" para quem quiser ouvir. Eu ouvi, a mãe ouviu, a avó ouviu e o avô parecia não acreditar no que tinha acabado de ouvir também. Tenho a impressão que foi ali que começou meu gosto por futebol. Que não é muito, diga-se de passagem.
Desde então eu sofro pelo Vasco da Gama, o gigante da colina. Se até os meus 20 anos eu estive no maraca umas poucas vezes, depois que o Kaê começou a andar eu já perdi a conta de quantos jogos assisti. Arquibancadas, cadeiras especiais, tribunas, cadeiras azuis... só faltou ir de geral. Lembro que uma vez, esta mais recente, fui parar no meio da Torcida Jovem com meu filho cantando todos os hinos em alto e bom som. Se ele pulava eu tinha que pular também; se ele sentava eu tinha que sentar também; se ele vibrava, eu vibrava com ele. Tudo isso no meio de uma massa enfurecida de jovens fanáticos por futebol entoando gritos de guerra numa espécie de catarse louca. Mas que não deixava de ser bonita e empolgante, confesso. Mas confesso também que eu era um peixe fora dágua ali no meio daquela gente toda.
De outra vez, isso há mais tempo, fui parar no estádio de São Januário, em São Cristóvão. O Vasco encarava o Santos. Estádio lotado. Nervos à flor da pele. Torcidas em pé de guerra. Até que a porrada estancou. Um corre-corre, uma gritaria, uma verdeira confusão. E eu ali com o meu filho que na época devia ter no máximo uns 6 anos. Parado estava e parado fiquei, só que me transformei num muro de proteção para que nada ou ninguém esbarrasse no moleque. Ao redor a briga era generalizada e eu só lembro do Kaê me dizendo "isso não é jogo, papai, isso é porrada!". Não lembro quanto tempo a polícia demorou para controlar a briga e nem qual foi o resultado do jogo, mas lembro que eu pensava que eu não precisava passar por aquilo. Mas já passou...
Também estive na reabertura do Maracanã depois das reformas. O Vasco ia encarar o Botafogo. Era domingo e eu estava em Ipanema, na casa da minha cunhada. Kaê queria porque queria assistir ao jogo e eu, no meu papel de pai, baixei no Maracanã. Um calor infernal. Gente por todos os lados. Ingressos esgotados até mesmo nas mãos dos cambistas. Voltamos pra casa meio frustrados. Eu, sem camisa, e do outro lado da rua um engraçadinho me chamando de Toni Ramos. Sou peludo mesmo, e daí?
Teve ainda uma final com o Fluminense que perdemos nos pênaltis e foi de matar; teve o milésimo gol do Romário que ele não marcava nunca; as vezes em que fomos vice; as que fomos campeões; a primeira vez que levamos Théo e Ravi, os pequenos, ao Maracanã e as outras vezes em que vimos os jogos em casa. De certo que o Vasco da Gama é o time do coração do meu filho mais velho e o amor que ele tem por este time contagiou toda a família, pois eu hoje, aos 40 anos, torço que nem criança quando vejo a cruz de malta em campo. Típico caso em que o pai é influenciado pelo filho. Ainda bem.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
A web e a grande mídia

quarta-feira, 3 de junho de 2009
Céu de brigadeiro
Tomei meu café da manhã enquanto a TV continuava ligada nos comentários e nas edições extraordinárias dos telejornais. Ao vivo, do Aeroporto Inernacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, uma repórter tenta em vão uma declaração de um irmão de um dos passageiros do vôo 447 da Air France. O rapaz falava ao telefone com alguém da família quando se viu cercado de jornalistas e microfones que invadiam o que havia de mais privado naquele momento difícil. Achei um horror. Se fosse comigo de certo que os jornalistas ouviriam poucas e boas. Mas o rapaz era educado demais para isso e não perdeu a linha, mesmo quase sufocando com tanta gente curiosa ao seu redor. Resolvi desligar a TV e fui tomar meu banho. Claudia não estava com pressa e eu tinha uma reunião marcada para as duas da tarde. Já tinha chovido um pouco e o céu continuava negro. Da janela do meu quarto eu via uma enorme parede de nuvens carregadas, principalmente em direção à zona sul. E era justamente pro Leblon que eu ia.
O trânsito estava ótimo. Na Avenida Presidente Vargas fui presenteado com uma onda verde que me fez pegar todos os sinais abertos, desde o prédio da Prefeitura até à Candelária. Fiz em menos de cinco minutos. Da Rua do Acre ao Leblon foram mais uns 20 minutos, o que é pra lá de bom. Cheguei, me reuni com quem tinha de me reunir, mas passei a tarde toda me dividindo entre o que diziam meus sócios e as notícias do airbus. Nada muito esclarecedor. Chegaram a dizer que o avião havia se desintegrado por conta de uma descarga de raios, outro site dizia que entrou numa zona de turbulência excessiva, minha reunião não terminava, o frio aumentava e eu só pensava em ir embora. Meu Deus!
Mas enfim a reunião acabou. Quase nada foi resolvido. Mas mesmo assim tenho a impressão de que as coisas estão sendo colocadas em ordem. Projetos, projetos e mais projetos. Minha cabeça anda cheia de projetos e eu quero mais é ver algum deles se concretizar. Com quatro sócios e mais dois agregados nada é muito simples. É muita opinião para ser ouvida e quase sempre para ser rebatida. Por sorte a volta pra casa foi tranquila. Peguei Claudia no trabalho as sete da noite e antes das sete e meia estávamos em casa. A gente nunca sabe o por quê, mas tem dias que o trânsito flui da melhor maneira e fica tudo livre pela frente. Feito céu de brigadeiro. Cheguei em casa e as crianças quiseram ir pro play, pois eu havia combinado que eles iam fazer umas caminhadas para se exercitar. Dez voltas completas ao redor do play depois eu estava de volta e só então pude tomar meu banho, comer alguma coisa e ouvir o noticiário. Só se falava no airbus que continuava desaparecido.
Dormi logo depois da novela. Na verdade desmaiei. Tenho andado bastante cansado. Coisas da idade, acho. No dia seguinte soube que foram encontrados alguns destroços do avião perto do arquipélago de São Pedro e São Paulo, ainda em mares brasileiros. Fiquei decepcionado. Na minha cabeça eu já criava um final diferente para esta tragédia. Coisa de quem tem uma imaginação pra lá de fértil. Se eu fosse o autor desta "história" o avião nunca seria encontrado, corpo de ninguém apareceria, destroços, nada, nada, nada. Só suposições. Só mistério. Só lenda. Tal e qual o Triângulo das Bermudas que me fez ficar noites sem dormir quando eu era moleque imaginando o que aquilo poderia ser. Mas na vida real é tudo diferente. Quase sempre nunca é do jeito que a gente imagina. E ponto final.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Nunca fui santo

Bastou eu deixar o livro de lado para ele começar a me contar parte de sua vida. Teve três filhos. Duas meninas e um menino. A falecida era costureira. Ele, contador, hoje aposentado, mas que trabalhou a vida toda para que os filhos tivessem estudo e condições de conseguir uma vida melhor. Moravam em Bonsucesso. Na época ainda não existia o tráfico da maneira como existe hoje, mas seu menino, o mais novo, se envolveu com o que não devia e foi morto no morro do Adeus numa troca de tiros com a polícia antes mesmo de completar a maioridade. Saiu no jornal e tudo. Uma tristeza. A saúde da mãe nunca mais foi a mesma depois daquela tragédia. Começou a ter desmaios, tonteiras, nunca mais quis sair de casa e morreu dois anos mais tarde. "De vergonha", ele confessou.
Foi depois de viúvo que começou a beber. Antes não tomava nem cerveja. Mas não era crente não. Era porque não gostava mesmo. Mas bastou enviuvar pra começar a gostar. Foi num bar no Lido que ele conheceu Marlene, uma morena que logo convidou pra morar com ele lá em Bonsucesso. Foi um escândalo. 30 anos mais nova. Um avião. A filha do meio não aceitou de jeito nenhum e resolveu juntar os trapos e ir morar com o namorado. Menina ciumenta aquela. A mais velha ficou e virou amiga de infância da Marlene. Viviam juntas pra cima e pra baixo, sempre com muito assunto pra conversar e em pouco tempo viraram confidentes uma da outra. "Estavam sempre trancadas no quarto", ele disse. Disse ainda que a filha começou a ficar mais bonita, a querer se arrumar. Marlene começou a fazer conta em lojas de roupas. Ela também estava ficando mais vaidosa. Um belo dia, ao chegar em casa depois do serviço, não encontrou nenhuma das duas. A comida estava na panela, a cama estava desarrumada, a luz do banheiro acesa e ainda restava um cheiro forte de perfume no corredor. Em cima da televisão, uma carta escrita sem o menor capricho revelava que Marlene e a mais velha iam morar juntas, que todas as contas daquele mês estavam pagas, que ele não precisava se preocupar e que elas estavam bem.
Confesso que eu estava sem graça, meio incomodado até, mas ao mesmo tempo curioso e intrigado por ouvir tantas revelações de uma pessoa que eu nunca havia visto antes na minha vida. Àquela altura o engarrafamento já não incomodava mais e a viagem do Leblon ao Maracanã parecia muito mais curta do que é normalmente. Aquele senhor não parou de falar um só minuto e uma certa hora eu devo ter feito uma cara de "desculpe, mas eu entendi direito?", e ele não titubeou e disse com todas as letras: "é isso mesmo, meu filho... duas sapatonas". Ele, que havia levado Marlene pra sua casa crente que assim seria mais feliz, na verdade acabou fazendo a felicidade da filha. Logo a mais velha, a mais companheira, a que sempre gostou de ajudar a mãe, a que nunca foi de sair. Era do trabalho pra casa e da casa para o trabalho. Aos domingos ia ao culto. Gostava de se fazer de santa. "Eu não, meu filho... eu nunca fui santo... eu fui corno... e da minha própria filha!".
Tive a impressão que todos ali no ônibus prestavam atenção na conversa e procuravam fazer silêncio para ouvir também. Num relance o senhor se despediu de mim, fez sinal e saltou do ônibus na Praça da Bandeira, bem debaixo da passarela e desconfiei de que ele ia para a Vila Mimosa, logo ali ao lado. Eu esqueci do livro que estava lendo, achei melhor deixar Kropotkin e suas teorias sobre o Estado para depois e fiquei com a história daquele senhor martelando na minha cabeça. Tive vontade de perguntar se ele continuava morando sozinho, se Marlene e sua filha ainda são felizes, se ele arrumou outra mulher ou se parou de beber. Mas acho que nunca mais vou encontrar aquele senhor e que eu vou ter que usar a minha imaginação se eu quiser continuar esta história. Até porque, eu não sou santo. E você?
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Certos dias são estranhos

Fora da academia o dia estava iluminado por um céu azul que só mesmo nas manhãs de outono do Rio de Janeiro. Nem calor nem frio. O barulho das crianças correndo no pátio do colégio se misturava aos dos carros apressados e lá estavam as mesmas figuras na banca de jornal da esquina. Não parei na padaria. Vou tentar diminuir o pão. Ando tomando café demais também. Nunca fui disso. Parei de fumar em dezembro e minha tosse melhorou bastante. A rinite alérgica não. Na entrada do meu prédio os porteiros batem um papo animado e um deles canta alto a música-tema da personagem de Dira Paes na novela das Índias. Entro no elevador, paro no quinto andar, que é o meu, pego o jornal, abro a porta de casa, tiro a camisa suada e vou direto pra varanda ler as notícias. Dilma continua doente. Lula teima em dizer que Dilma está curada. Vem aí o terceiro mandato, mas antes a CPI da Petrobras. Aécio vai para o PR. Serra é o candidato do PSDB e Susana Vieira é mais indelicada que nunca. Nada de novo.
Vou pro banho. Rápido que é pra economizar a água do planeta. Claudia já está pronta para ir trabalhar. Ela me apressa e eu me arrumo rápido também. Desisti de fazer a barba e resolvi que hoje vou trabalhar de bermuda. Foda-se. Está um sol lindo, é sexta-feira e a vontade é de ir para a praia. Vou pro Leblon, que é onde fica a produtora. Do lado da praia, da brisa do mar e com o Dois Irmãos ao fundo. Privilégio de poucos. O trânsito estava complicado e eu dei duas voltas até conseguir uma vaga para o carro. Uma obra no andar térreo onde funciona a produtora atrapalha ainda mais as coisas. Barulho de furadeira. Poeira. E muita gente falando ao mesmo tempo. Subo os três andares a pé, pois o prédio é antigo e não tem elevador, abro a porta, dou de cara com a Meire e o Buffara desolados. Uma tragédia: estávamos sem Internet. Lá vou eu tentar ver se resolvo, olho pra toda aquela fiação e nada. Nunca fui bom nisso. Mal e porcamente troco lâmpadas. "Chama um técnico", eu disse. Já tinham chamado mas ele só pode depois das 18h. Ou seja, todos perdidos e sem ter muito o que fazer. Totalmente reféns de tanta tecnologia. Que coisa! Para completar Buffara sai do banheiro com a notícia de qua havia acabado a água. O porteiro confirma que o Leblon todo está sem água hoje. Parece que Campo Grande, Barra da Tijuca e São Conrado também. Temos uma reunião marcada para as 15h30 e ainda não são nem meio-dia. Meire resolve que vai almoçar mais cedo. Buffara aproveita para passar em casa, já que mora ali perto. Claudio já tinha saído antes mesmo da água acabar. Fiquei sozinho na produtora e resolvi escrever, já que isto é o que sei fazer. Mesmo nestes dias em que tudo parece tão estranho.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
As coisas boas da vida

A verdade é que o lombinho estava sensacional e todos comeram de se lambuzar. Tanto que não sobrou nem um tiquinho pra contar história. Mas, cá pra nós, o lombinho nem interessa tanto assim, o que interessa é que ontem, almoçando a comida que eu mesmo tive o prazer em fazer, na presença da minha família, fui envolvido por uma aura de emoção que pode até parecer piegas para muitos de vocês, mas que para mim não é. Desde pequeno eu sonhava em constituir uma família pra poder reunir todo mundo em volta de uma mesa farta, onde o respeito e o amor fossem peças fundamentais. E eu tive a sorte de conseguir realizar este sonho.
Até porque, não é todo mundo que tem a sorte de reunir a família numa mesa de almoço em pleno domingo; não é todo mundo que tem a sorte de ter filhos bacanas por perto e saber o valor que isso tem; não é todo mundo que sabe quanto vale uma família sólida e como é importante ter uma família como alicerce para todo o resto na vida. Ou então desperdiçam a oportunidade de conviver em família e vão em busca de sabe-se lá o quê. Isso sem dizer que não é todo mundo que tem a sorte de ter o que almoçar, seja num domingo ou em qualquer outro dia.
Eu pensei nestas coisas todas ontem enquanto almoçava. Tenho certeza que ninguém percebeu que eu pensava. Não sei se tinha mais alguém emocionado ali. Acho que não. Depois do almoço e da louça lavada, uns ficaram conversando na sala e outros na varanda. As crianças desceram para brincar no play. E eu fui pro quarto. Eu, meus botões e minha imagem de São Jorge. Agradeci a ele por me dar conta destas coisas boas da vida. É por estas e outras que a vida vale a pena. Ou não é?
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Memória afetiva

quarta-feira, 6 de maio de 2009
O processo criativo

O certo é que desde os 9 anos escrevo poesias e elas, na maioria das vezes, já nascem prontas e são sussurradas no meu ouvido. Quantas eu já deixei passar por conta de não ter onde anotar na hora em que elas "baixam" e quantas outras foram modificadas porque somente um verso ou outro ficou na lembrança. Mas eu gosto de escrever poesias. Me parece fácil e rápido. Gosto do ritmo em que elas se impõem; gosto da sonoridade que costumam ter; gosto de ler e reler depois uma centena de vezes até não aguentar mais; gosto quando gostam e pedem mais. Aí eu vou e digo que preciso esperar a inspiração chegar.
Depois de crescido resolvi que ia escrever roteiros, só que por muitas vezes eu escrevi roteiros em que me baseava num ritmo poético, pois eu queria emocionar e creio que conseguia. Tem um roteiro meu, de um documentário que fiz para o SESC Rio há uns 6 anos sobre um tema triste pacas, a fome, que não há quem não se emocione. E olha que o documentário não tem nada de piegas ou sensacionalista. É que ali eu consegui encontrar uma personagem com uma história tão rica, que na hora da edição foi fácil dar o tom da emoção sem precisar apelar ou usar este ou aquele artifício que muitas vezes deixa tudo muito chato, inclusive. Nunca mais vou me esquecer da cara do então gerente responsável pelo projeto quando assistiu ao primeiro corte do documentário nem da minha cara de pau de ligar pra ele num final de semana e aprovar o texto que seria lido em off pela atriz Miriam Freeland, dona de uma das vozes mais suaves que já ouvi. Foi naquele momento que eu percebi que eu também tinha o maior jeito pra vender meu peixe. E deu supercerto.
Outro momento de criação bacana também foi junto com minha amiga Benita Prieto, quando ela me convidou para fazer o roteiro do documentário "Histórias" sobre a tradição da oralidade e a arte de contar histórias. Bastou um papo animado para logo surgir a pergunta "como seria um mundo sem histórias?" e daí, então, surgiu o roteiro. Fácil, dinâmico, rico, profundo e cheio de boas histórias, "Histórias" foi um trabalho que me deu enorme prazer em fazer e me rendeu milhares de elogios, além de uma viagem a Cuba para participar de um festival onde o documentário foi exibido. A direção é do Paulo Siqueira e tenho certeza de que este filme também o deixa cheio de orgulho.
Mas não sei responder se criar é algo fácil ou difícil. Muitas vezes a tela do meu computador em branco me angustia, mas de outras vezes a mesma tela em branco me inspira e é o meio pelo qual eu melhor consigo me expressar. Não sou muito bom quando me pedem para falar. Em público, então, tremo na base literalmente. A voz desaparece, o coração sai pela boca, fico vermelho, tenso. Um vexame. Prefiro escrever. Mas não tenho uma regra. O que tenho é inspiração. Ainda bem.
terça-feira, 5 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Dentro da minha cabeça

sexta-feira, 24 de abril de 2009
Aquilo que o povo quer

A segurança, ou melhor, a falta dela aqui no Rio de Janeiro, é um ponto comum a todos os entrevistados. Seja para aquele que mora na baixada ou nas comunidades até ao mauricinho bem nascido da zona sul carioca, a violência afeta diretamente a vida de todos. Bastam poucos segundos em frente à câmera para o tema vir à tona, assim como a descrença nas ações do governo para solucionar tamanho problema. Assaltos, homicídios, brigas, tráfico de drogas. Cada um destes temas faz parte da realidade e da vida de cada cidadão que mora no Rio de Janeiro. Não importa onde. Do Leblon a Bangu. De Madureira a Copacabana. Do Méier ao Rio Comprido. De Campo Grande à Tijuca. Não há um bairro nesta cidade que ainda considero maravilhosa que não tenha uma história triste de violência para contar. E os depoimentos que colhi não me deixam mentir.
Assim também como não me deixam mentir os depoimentos sobre o descrédito com os políticos e com aqueles que fazem da vida pública nada mais que um instrumento para alavancar seus interesses pessoais. E confesso que isto muito me entristece, ainda mais depois de uma longa e esclarecedora conversa com Givaldo Siqueira no final da tarde de hoje e que terminou numa carona dentro de um táxi, da Praia do Flamengo até o Castelo. Givaldo é da executiva nacional do PPS, o Partido Popular Socialista, antigo PCB, o Partido Comunista Brasileiro, mais conhecido como Partidão.
Figura ilustre, atuante e grande conhecedor da política brasileira, Givaldo carrega no seu DNA a crença na luta contra as desigualdades e a paixão pela política. Viveu anos na clandestinidade, desde as primeiras horas do fatídico dia 1 de Abril de 1964 até meados de 1980, quando retornou do exílio no exterior. Conhece a fundo as questões do nosso Brasil e é amante da liberdade em todas as suas manifestações. E justamente por ser um defensor da democracia, Givaldo também se preocupa, e muito, quando percebe o descrédito cada vez mais crescente com aqueles que deveriam representar o povo e a política nacional. "É um vírus muito perigoso e que está solto por aí", diz ele. Eu concordo. E me angustio ao ver que o povo, a massa, parece não perceber a orquestração por trás disso tudo, como se o único objetivo fosse nivelar a todos por baixo, para cada vez mais parecer que a classe política é, como se diz no popular, "tudo farinha do mesmo saco". Esta semana mesmo fomos "surpreendidos" com mais um escândalo envolvendo nossos parlamentares. Desta vez foi a farra das passagens e das viagens aos exterior dos deputados e suas famílias. Tudo pago com dinheiro do contribuinte. Aquele mesmo contribuinte que há cerca de um mês eu tenho entrevistado nas ruas desta minha cidade. Aquele mesmo contribuinte que quer ter direito à educação, à segurança, à saúde, ao emprego. E pelo que eu pude ver e ouvir nestas minhas entrevistas, o povo só quer o básico. Só isso.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Salve Jorge!

Oração a São Jorge
Chagas abertas, Sagrado Coração, todo amor e bondade, o sangue do meu Senhor Jesus Cristo, no corpo meu se derrame hoje e sempre. Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão, facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se rebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua Santa e Divina Graça, a Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu Sagrado e divino manto, me protegendo em todas minhas dores e aflições, e Deus com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor, contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. E o glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, e em nome da falange do Divino Espírito Santo, me estenda o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências, e que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar. Assim seja com o poder de Deus e de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
Amém.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
O dia em que a girafa engasgou

quarta-feira, 8 de abril de 2009
Receita roubada

segunda-feira, 6 de abril de 2009
A pele que solta do osso

sábado, 4 de abril de 2009
www.canallondres.tv

Alguns outros amigos como Beta, Mino e Gus também participaram da concepção do canal, seja como apresentadores, editores, direção ou captação de imagens e o resultado está muito bacana. Vale a pena conferir. Vale a pena conhecer Londres com eles. Eu curti.
