Por vezes ultrapasso limites,
sigo linhas tênues, rompo barreiras,
corro risco nas encruzilhadas e aponto dedos
para os céus da minha boca em noites estreladas.
Nas madrugadas, elas, as palavras, vêm me visitar
e, feito nuvens sorrateiras, invadem minha alma já inquieta, deixam minha mente sempre viva
e a língua leve e solta
a desamarrar os versos que ora canto.
Não, não é meu pranto, nem é lamento triste.
É tudo o que cabe aqui dentro.
Cada palavra em si guardada é fonte iluminada,
é candeeiro nesse mundo de nosso Senhor.
Onde do verbo também se faz vida,
da cicatriz que já foi ferida,
dos meus pés que tropeçaram nas pedras
e o coração pulsando em meu peito,
semeando tudo como fosse flor.