segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ninguém é o que é ou O fantasma de Eva Klabin


"Ninguém é o que é, todo mundo está só sendo alguma coisa" foi o que ouvi de um amigo meu ontem à tarde. Ele se referia às pessoas que conheceu durante os seis meses em que morou em Londres, onde a febre de ter de fazer dinheiro é a doença que afasta cada um de seu cada um. Ele me contou também que conheceu muita gente com talento para ser muita coisa, mas que para sobreviver faziam mesmo era qualquer coisa. Afinal, estavam em Londres e Londres não é qualquer lugar do mundo. É a terra das princesas e rainhas, do príncipe e sua amante, de Beatles e Rolling Stones, do Radiohead e mais o que nossa mente considerar alternativo ou de vanguarda. Eu tenho a maior vontade de conhecer Londres.


Este meu amigo me disse ainda que passar uma temporada em Londres é como passar pelo purgatório e que se você sobrevive àquela selva sua vida nunca mais será a mesma depois. É como um estágio, ele disse. Um estágio que eu nunca vou fazer, diga-se de passagem, pois se é pra passar por purgatório, que pelo menos eu esteja perto daqueles que amo, falando a língua que eu domino, pisando em terras que eu conheço. Cada vez mais eu tenho certeza de que não vim parar nesta vida pra resolver minhas questões longe de tudo aquilo que tenho como referência. E aqui não há um tom de crítica a quem escolhe ou se vê obrigado a escolher viver num outro país. Acho que se eu não tivesse me casado tão cedo também encararia uma aventura destas. Hoje, aos 40 anos e com 3 filhos, não mais. Quero, sim, conhecer Londres, visitar a Tate Modern, os pubs, passear em Candem Town e procurar saber se é verdade que o Reino é unido. E só. Até porque, em termos de vanguarda e produção artística, hoje em dia vejo mais Berlim como pólo cultural do que qualquer outra cidade da Europa. E este meu amigo também.

Por falar em vanguarda e produção artística, semana passada estive num evento no Cine Glória chamado Capacete, que a cada 15 dias reúne alguns artistas plásticos para conversarem a respeito de suas produções e de seus processos criativos. O convidado da noite era o artista plástico Ernesto Neto, de quem eu já conhecia alguma coisa, porém nunca tinha participado de um papo cara a cara com ele. Figuraça, completamente descabelado e amarrotado, Ernesto é daqueles que tem muito o que falar e a plateia fica completamente hipnotizada por ele. Quem estava presente pode ver slides com suas obras e ouvir como aquilo tudo ia surgindo, desde os materiais usados até ao que tinha dado errado. Além da generosidade, que em muito me fez lembrar do meu querido e saudoso amigo Sérgio Bernardes, o bom humor também é peça fundamental na vida do artista. Prova disso foi a história de sua instalação na Fundação Eva Klabin, há 5 ou 6 anos, quando cobriu de lençóis brancos todas as obras de arte existentes na casa por "achar aquilo tudo lá muito careta" e teve a certeza de que o fantasma de Eva Klabin existe e vive nos cômodos da Fundação. Isso porque os seguranças de lá falam dela como se ela estivesse viva, talvez com medo de que ela puxe os pés deles durante os cochilos noturnos.

E enquanto eles cochilam eu continuo querendo ser o que eu sou e não apenas qualquer coisa.
A foto que ilustra este post não é de nenhum fantasma, mas de Eva Klabin ainda jovem. A Fundação que leva seu nome foi criada em 1990, um ano antes do seu falecimento, fica no Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro da Lagoa. Maiores informações no site www.evaklabin.org.br.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Rock with you, Michael!


Juro que eu não queria me ver obrigado a escrever e nem incomodar vocês com mais um texto em menos de uma semana, mas o Michael Jackson morreu. Todos os jornais do mundo, pelo menos os do mundo que eu conheço, estamparam em suas manchetes a notícia da morte do astro pop. Não, eu nunca fui um fã ardoroso do cara e pra dizer a verdade, achava ele esquisito pra caramba. Achava ridículas aquelas roupas cheias de brilho à la Cauby Peixoto, aquelas calças pretas de pregas meio Mickey Mouse, aquele sapatinho com a meia branca, a luvinha, o chapéu, as dancinhas, o vitiligo, a brancura, aquela cara de Latoya, as crianças, a loucura, a doença. Um mito. Um astro. Um gênio.
Eu lembro do Michael Jackson em duas fases da minha vida. A primeira eu era mesmo muito moleque e ouvia uns discos da Motown numa vitrolinha portátil na casa da minha prima Mônica. Lembro que era um som cheio de suíngue, diferente de um tal de Morris Albert que eu era obrigado a ouvir na mesma época, só que na casa da minha madrinha. Mas esta é outra história e aposto que ninguém aqui vai querer saber quem é esse tal de Morris Albert. Ou vai? Os Jackson 5 eram muito melhores, podem ter certeza, e aquele garotinho de cabelo black power me chamava a atenção. Entre todos os irmãos era o mais carismático. Chamou a atenção do mundo todo. Do sistema, inclusive. Mas eu era muito criança.
Anos mais tarde ele rapareceu com seus megassucessos e com seus megaproblemas. Eu já era adolescente e ele devia ter uns vinte e poucos. Ainda era negro. Nariz largo e cabelos enrolados. Usava um terno até que maneiro e se não me engano foi quando veio com Rock with you e Don´t stop till get enough. Ouvi e dancei muito aquele som. Depois Beat it foi outra que curti. Billie Jean eu achava um saco e com Thriller ele me fez prestar mais atenção nos seus clipes. E só.
Toda aquela transformação, toda aquela excentricidade, todas aquelas cirurgias plásticas, as máscaras, as varandas dos hotéis, Neverland, o infantilismo, as dívidas, os processos, os escândalos. E no meio disso tudo Elisabeth Taylor. Achava aquilo muito chato.
Mas não posso negar a genialidade e a importância de Michael Jackson para o mundo da música e para o showbusiness. Hoje li num artigo do jornal A Folha de S.Paulo assinado pelo cantor Paulo Ricardo - ele mesmo - que dizia que Michael morria à medida que perdia sua cor. Tal e qual um fax. Achei bastante interessante. O ex-RPM afirmava que o que o cantor fez depois de Thriller, considerada sua obra-prima, deixou a desejar e ele não resistiu às impiedosas comparações. Talvez Paulo Ricardo tenha autonomia para falar sobre isso. Talvez ele até devesse escrever um livro de auto-ajuda baseado em sua experiência como um astro da música pop. De qualquer maneira agora Inês é morta. E Michal Jackson também.

Rock with you pra mim é um clássico. Volta e meia ponho pra tocar. É daquelas músicas que se Deus, na hora da minha partida, me der a opção de levar um play list, vai comigo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Eleanor Rigby


Há exatos 18 anos eu vivia o auge de minhas experimentações religiosas. Depois de ter sido criado sob os dogmas da igreja católica, depois de conhecer a palavra de Deus através de alguns "missionários" que se autointitulavam mensageiros do Senhor, depois de conhecer e respeitar alguns centros de umbanda e candomblé, aos 22 anos resolvi subir a Estrada das Canoas, que liga São Conrado ao Alto da Boa Vista e ver de perto o que era o Santo Daime. A primeira vez que ouvi falar foi no programa do Flávio Cavalcanti, so não sei se na TV Tupi ou na Band. De certo que se alguém aqui disser que ainda se lembra do Flávio Cavalanti vai acabar entregando a idade. Melhor então ficar calado. O apresentador entrevistava a atriz Lucélia Santos. Ela mostrava um vídeo com imagens da comunidade na floresta. Todo mundo era tranquilo. Todo mundo cantava. Todo mundo dançava. Tudo na maior paz. Eu fiquei curioso.

O tempo passou. No comecinho dos anos 90 tinha um programa chamado Documento Especial, na extinta Rede Manchete, que eu gostava muito. Era um híbrido de Globo Repórter com Amaral Neto, outro que eu acabei de tirar do fundo do baú. Volta e meia tinha umas pautas interessantes e uma certa noite o programa era sobre o Santo Daime e me trouxe de volta aquela curiosidade esquecida lá com o Flávio Cavalcanti. Por coincidência eu tinha um amigo dos meus tempos de caserna, o Ricardo, que frequentava a igreja do Santo Daime em São Conrado. Pedi pra ir com ele. Régis, outro camarada nosso, também quis ir. Fomos os 3. De ônibus.


Lembro que ao sair de casa avisei minha mãe onde eu iria. Ela não entendeu muito bem do que se tratava mas não fez nenhuma observação a não ser "leva uma casaco porque vai esfriar". E esfriou mesmo. A igreja fica no meio da Floresta da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo, de cara para a Pedra da Gávea. Um lugar mágico. Especial. E eu sequer imaginava que viveria momentos mágicos e especiais ali. Desde aquela primeira vez. De um lado, os homens. Do outro, as mulheres. Todos devidamente paramentados. As mulheres, de saia plissada verde e uma coroa; os homens, de terno branco. Ambos com uma estrela de Davi dourada no peito. Os cânticos, que eles chamavam de hinos, lindos, diziam exatamente o que precisávamos ouvir e nos ensinavam as histórias que nunca tivemos muita paciência para ler na Bíblia. O bailado era pra lá e pra cá, num vai-e-vem inebriante. No meio disso tudo era servido o chá. Amargo até dizer chega. Muito pior que chá de boldo. Até hoje, só de lembrar, sinto minha língua travar. E de repente o silêncio. Luzes se apagavam. Só velas acesas sobre uma mesa repleta de cristais e imagens no centro do salão. Todos concentrados. Todos tentando se aquietar e aquietar suas mentes. Uns em posição de lótus, outros sentados em cadeiras de plástico e alguns de pé, mas todos no mais profundo silêncio.


Fiquei no fundo do salão. Régis do meu lado. Minhas costas doíam um pouco por conta do esforço em me manter imóvel. Umas mulheres de branco passaram andando no canto esquerdo da igreja enquanto uma outra começa a cantar um hino sobre os poderes da floresta. Eu estava com frio e lembrei da minha mãe e como foi bom ter levado um casaco. Em instantes era como se nada ao meu redor me perturbasse, como se nada me chamasse a atenção. Só me importava com o que eu "via" internamente. E nunca mais esqueci daquela mão estendida na altura de meu peito, surgida de dentro de mim, como se eu estivesse sendo apresentado a mim mesmo. Uma sensação boa e estranha ao mesmo tempo. Calor e frio. Perda da noção de tempo. Até que entre um hino e outro as luzes foram se acendendo, homens e mulheres levantando e uma enorme cãimbra me impediu de ficar em pé por alguns segundos. Nada demais. Não demorou muito e estávamos todos a postos para mais um bocado de bailado e de hinos. No total, mais de seis horas.

Na semana seguinte tive de levar minha mãe. Meu irmão também quis ir. Depois foi a vez de uns amigos, do meu pai, de uma tia, um tio. Até minha mulher foi. Na época a gente estava só começando a namorar, mas eu já não ia com tanta frequência. Eu já me deixava consumir pelo trabalho em produção de comerciais, já estava contaminado pela correria do dia a dia. Foram quase 5 anos no Daime. Quase 5 anos que me valeram por muitos anos de análise, talvez. Ali, naquela igreja, era só eu, o eu que existe em mim e o eu que eu não conhecia. Continuo não conhecendo muito bem, pois a cada dia me apresento um pouco mais. Ou me escondo, não sei. Só sei que hoje acordei mais pra Beatles que pra Rolling Stones e acabei escrevendo sobre o Daime. Dá pra entender?

A foto que ilustra este post é da estátua de Eleanor Rigby, em Liverpool. Não sei se ela existiu de verdade, mas a música é linda, uma das que mais gosto da dupla Lennon e MacCartney. Fala da solidão dos mais velhos. "Oh, look at all the lonely people".

terça-feira, 16 de junho de 2009

A cruz de malta é o meu pendão!


Eu nunca fui fã de futebol. Quando pequeno cheguei a arriscar algumas jogadas com o time da rua, mas eu acabava no gol e o medo de levar uma bolada na cara interrompeu minha carreira precocemente, por volta dos 12 anos, eu creio. Acabei mergulhando nos livros, nos filmes e nos braços de algumas namoradas, pois se por um lado eu não tinha talento para ser craque de futebol, por outro lado até que eu me entendia muito bem com o sexo oposto. Minha primeira namoradinha tinha 2 anos a mais que eu, era a cobiçada pelos mais velhos da rua, vivia de shortinho e com as pernocas de fora. Seu nome? Bernadete. Isso mesmo e com todas as rimas a que tinha direito! Lembro que algumas mães ficavam meio apavoradas com o nosso namoro, que consideravam avançado demais. Confesso que eu não estava nem aí para o que elas pensavam ou deixavam de pensar.
Mas o papo aqui não é sobre namoro e, sim, sobre futebol. Dos 12 aos 20 anos eu só torcia em época de Copa do Mundo. Acho que torcia muito mais por conta da farra que fazíamos do que propriamente pela seleção, até porque, só fui ver a seleção brasileira voltar a ser campeã quando eu já tinha 25 anos, na Copa de 94. Antes, só em 1970, mas nem conta, já que eu acabara de completar 1 ano de idade e de certo que não lembro de nada. Só que aos 20 anos fui pai pela primeira vez _ não disse lá em cima que eu tinha talento com o sexo oposto? _ e de um menino, o Kaê, que antes mesmo de completar um aninho já sabia falar vasco. Juro! V A S C O. Assim, com todas as letras. Lembro que eu estava na varanda da casa dos meus ex-sogros e seu Celso, o avô, com meu filho no colo, quando do nada ele solta o verbo e diz "vasco" para quem quiser ouvir. Eu ouvi, a mãe ouviu, a avó ouviu e o avô parecia não acreditar no que tinha acabado de ouvir também. Tenho a impressão que foi ali que começou meu gosto por futebol. Que não é muito, diga-se de passagem.
Desde então eu sofro pelo Vasco da Gama, o gigante da colina. Se até os meus 20 anos eu estive no maraca umas poucas vezes, depois que o Kaê começou a andar eu já perdi a conta de quantos jogos assisti. Arquibancadas, cadeiras especiais, tribunas, cadeiras azuis... só faltou ir de geral. Lembro que uma vez, esta mais recente, fui parar no meio da Torcida Jovem com meu filho cantando todos os hinos em alto e bom som. Se ele pulava eu tinha que pular também; se ele sentava eu tinha que sentar também; se ele vibrava, eu vibrava com ele. Tudo isso no meio de uma massa enfurecida de jovens fanáticos por futebol entoando gritos de guerra numa espécie de catarse louca. Mas que não deixava de ser bonita e empolgante, confesso. Mas confesso também que eu era um peixe fora dágua ali no meio daquela gente toda.
De outra vez, isso há mais tempo, fui parar no estádio de São Januário, em São Cristóvão. O Vasco encarava o Santos. Estádio lotado. Nervos à flor da pele. Torcidas em pé de guerra. Até que a porrada estancou. Um corre-corre, uma gritaria, uma verdeira confusão. E eu ali com o meu filho que na época devia ter no máximo uns 6 anos. Parado estava e parado fiquei, só que me transformei num muro de proteção para que nada ou ninguém esbarrasse no moleque. Ao redor a briga era generalizada e eu só lembro do Kaê me dizendo "isso não é jogo, papai, isso é porrada!". Não lembro quanto tempo a polícia demorou para controlar a briga e nem qual foi o resultado do jogo, mas lembro que eu pensava que eu não precisava passar por aquilo. Mas já passou...
Também estive na reabertura do Maracanã depois das reformas. O Vasco ia encarar o Botafogo. Era domingo e eu estava em Ipanema, na casa da minha cunhada. Kaê queria porque queria assistir ao jogo e eu, no meu papel de pai, baixei no Maracanã. Um calor infernal. Gente por todos os lados. Ingressos esgotados até mesmo nas mãos dos cambistas. Voltamos pra casa meio frustrados. Eu, sem camisa, e do outro lado da rua um engraçadinho me chamando de Toni Ramos. Sou peludo mesmo, e daí?
Teve ainda uma final com o Fluminense que perdemos nos pênaltis e foi de matar; teve o milésimo gol do Romário que ele não marcava nunca; as vezes em que fomos vice; as que fomos campeões; a primeira vez que levamos Théo e Ravi, os pequenos, ao Maracanã e as outras vezes em que vimos os jogos em casa. De certo que o Vasco da Gama é o time do coração do meu filho mais velho e o amor que ele tem por este time contagiou toda a família, pois eu hoje, aos 40 anos, torço que nem criança quando vejo a cruz de malta em campo. Típico caso em que o pai é influenciado pelo filho. Ainda bem.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A web e a grande mídia


Quando digo aqui que a web vai merecer atenção especial nas próximas eleições, não é à toa. O recente caso do blog da Petrobras foi um marco no que se entende como comunicação corporativa porque atingiu em cheio o ego da grande mídia. Embora não concorde em nada com determinadas práticas da empresa, devo admitir que, com o blog, a Petrobras inaugurou um novo modelo de gestão de comunicação, o que pode vir a revolucionar o mercado. Se voltarmos o foco para as eleições de 2010, nestes tempos de informação mais democrática e imediata, é importante ficarmos atentos e não subestimarmos o poder e a capacidade de análise do público internauta. Desde já. A corrida eleitoral está aí e sai na frente quem souber aplicar e utilizar de maneira adequada e inteligente tudo o que a Internet pode oferecer.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Céu de brigadeiro


Acordei segunda-feira como se nada tivesse acontecido. Eram 6h30 e lá fui eu para a minha malhação diária na academia. Voltei, tirei a camisa suada, me esparramei na rede da varanda, li o jornal de cabo a rabo e, coisa rara, resolvi ligar a TV. Ana Maria Braga tomava um café da manhã ao lado de Nívea Maria e Osmar Prado, mas um olhar mais atento e pude perceber que o assunto era mais sério do que eu poderia imaginar. Uma tragédia nos céus com um airbus da Air France mobilizava toda a imprensa. Nacional e internacional. Mais de 200 mortos e boa parte deles, brasileiros. A causa era desconhecida e o paradeiro do avião também. Até aquele momento só havia a notícia de que o avião fizera um último contato por volta das dez da noite, ao passar próximo ao arquipélago de Fernando de Noronha. Mais do que isso era suposição.
Tomei meu café da manhã enquanto a TV continuava ligada nos comentários e nas edições extraordinárias dos telejornais. Ao vivo, do Aeroporto Inernacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, uma repórter tenta em vão uma declaração de um irmão de um dos passageiros do vôo 447 da Air France. O rapaz falava ao telefone com alguém da família quando se viu cercado de jornalistas e microfones que invadiam o que havia de mais privado naquele momento difícil. Achei um horror. Se fosse comigo de certo que os jornalistas ouviriam poucas e boas. Mas o rapaz era educado demais para isso e não perdeu a linha, mesmo quase sufocando com tanta gente curiosa ao seu redor. Resolvi desligar a TV e fui tomar meu banho. Claudia não estava com pressa e eu tinha uma reunião marcada para as duas da tarde. Já tinha chovido um pouco e o céu continuava negro. Da janela do meu quarto eu via uma enorme parede de nuvens carregadas, principalmente em direção à zona sul. E era justamente pro Leblon que eu ia.
O trânsito estava ótimo. Na Avenida Presidente Vargas fui presenteado com uma onda verde que me fez pegar todos os sinais abertos, desde o prédio da Prefeitura até à Candelária. Fiz em menos de cinco minutos. Da Rua do Acre ao Leblon foram mais uns 20 minutos, o que é pra lá de bom. Cheguei, me reuni com quem tinha de me reunir, mas passei a tarde toda me dividindo entre o que diziam meus sócios e as notícias do airbus. Nada muito esclarecedor. Chegaram a dizer que o avião havia se desintegrado por conta de uma descarga de raios, outro site dizia que entrou numa zona de turbulência excessiva, minha reunião não terminava, o frio aumentava e eu só pensava em ir embora. Meu Deus!
Mas enfim a reunião acabou. Quase nada foi resolvido. Mas mesmo assim tenho a impressão de que as coisas estão sendo colocadas em ordem. Projetos, projetos e mais projetos. Minha cabeça anda cheia de projetos e eu quero mais é ver algum deles se concretizar. Com quatro sócios e mais dois agregados nada é muito simples. É muita opinião para ser ouvida e quase sempre para ser rebatida. Por sorte a volta pra casa foi tranquila. Peguei Claudia no trabalho as sete da noite e antes das sete e meia estávamos em casa. A gente nunca sabe o por quê, mas tem dias que o trânsito flui da melhor maneira e fica tudo livre pela frente. Feito céu de brigadeiro. Cheguei em casa e as crianças quiseram ir pro play, pois eu havia combinado que eles iam fazer umas caminhadas para se exercitar. Dez voltas completas ao redor do play depois eu estava de volta e só então pude tomar meu banho, comer alguma coisa e ouvir o noticiário. Só se falava no airbus que continuava desaparecido.
Dormi logo depois da novela. Na verdade desmaiei. Tenho andado bastante cansado. Coisas da idade, acho. No dia seguinte soube que foram encontrados alguns destroços do avião perto do arquipélago de São Pedro e São Paulo, ainda em mares brasileiros. Fiquei decepcionado. Na minha cabeça eu já criava um final diferente para esta tragédia. Coisa de quem tem uma imaginação pra lá de fértil. Se eu fosse o autor desta "história" o avião nunca seria encontrado, corpo de ninguém apareceria, destroços, nada, nada, nada. Só suposições. Só mistério. Só lenda. Tal e qual o Triângulo das Bermudas que me fez ficar noites sem dormir quando eu era moleque imaginando o que aquilo poderia ser. Mas na vida real é tudo diferente. Quase sempre nunca é do jeito que a gente imagina. E ponto final.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nunca fui santo


"Nunca fui santo" foi o que ouvi dia desses de um senhor dentro do ônibus. Eu estava compenetrado, lendo "O Estado e seu papel histórico", do Kropotkin, e custei a perceber que ele falava comigo. Já passava das oito da noite, eu não tinha ido de carro para a produtora, o ônibus estava lotado e aquele senhor insistia em me dizer que nunca tinha sido santo. A Lagoa Rodrigo de Freitas estava engarrafada, o motorista lá na frente parecia mal humorado e a sirene insistente de uma ambulância lá atrás anunciava uma viagem neurótica. Ao meu lado, um senhor de cabelos branquinhos, bem apessoado, merecia todo o respeito que se deve ter com os mais velhos e eu não pude ignorá-lo. Por mais que quisesse.
Bastou eu deixar o livro de lado para ele começar a me contar parte de sua vida. Teve três filhos. Duas meninas e um menino. A falecida era costureira. Ele, contador, hoje aposentado, mas que trabalhou a vida toda para que os filhos tivessem estudo e condições de conseguir uma vida melhor. Moravam em Bonsucesso. Na época ainda não existia o tráfico da maneira como existe hoje, mas seu menino, o mais novo, se envolveu com o que não devia e foi morto no morro do Adeus numa troca de tiros com a polícia antes mesmo de completar a maioridade. Saiu no jornal e tudo. Uma tristeza. A saúde da mãe nunca mais foi a mesma depois daquela tragédia. Começou a ter desmaios, tonteiras, nunca mais quis sair de casa e morreu dois anos mais tarde. "De vergonha", ele confessou.
Foi depois de viúvo que começou a beber. Antes não tomava nem cerveja. Mas não era crente não. Era porque não gostava mesmo. Mas bastou enviuvar pra começar a gostar. Foi num bar no Lido que ele conheceu Marlene, uma morena que logo convidou pra morar com ele lá em Bonsucesso. Foi um escândalo. 30 anos mais nova. Um avião. A filha do meio não aceitou de jeito nenhum e resolveu juntar os trapos e ir morar com o namorado. Menina ciumenta aquela. A mais velha ficou e virou amiga de infância da Marlene. Viviam juntas pra cima e pra baixo, sempre com muito assunto pra conversar e em pouco tempo viraram confidentes uma da outra. "Estavam sempre trancadas no quarto", ele disse. Disse ainda que a filha começou a ficar mais bonita, a querer se arrumar. Marlene começou a fazer conta em lojas de roupas. Ela também estava ficando mais vaidosa. Um belo dia, ao chegar em casa depois do serviço, não encontrou nenhuma das duas. A comida estava na panela, a cama estava desarrumada, a luz do banheiro acesa e ainda restava um cheiro forte de perfume no corredor. Em cima da televisão, uma carta escrita sem o menor capricho revelava que Marlene e a mais velha iam morar juntas, que todas as contas daquele mês estavam pagas, que ele não precisava se preocupar e que elas estavam bem.
Confesso que eu estava sem graça, meio incomodado até, mas ao mesmo tempo curioso e intrigado por ouvir tantas revelações de uma pessoa que eu nunca havia visto antes na minha vida. Àquela altura o engarrafamento já não incomodava mais e a viagem do Leblon ao Maracanã parecia muito mais curta do que é normalmente. Aquele senhor não parou de falar um só minuto e uma certa hora eu devo ter feito uma cara de "desculpe, mas eu entendi direito?", e ele não titubeou e disse com todas as letras: "é isso mesmo, meu filho... duas sapatonas". Ele, que havia levado Marlene pra sua casa crente que assim seria mais feliz, na verdade acabou fazendo a felicidade da filha. Logo a mais velha, a mais companheira, a que sempre gostou de ajudar a mãe, a que nunca foi de sair. Era do trabalho pra casa e da casa para o trabalho. Aos domingos ia ao culto. Gostava de se fazer de santa. "Eu não, meu filho... eu nunca fui santo... eu fui corno... e da minha própria filha!".
Tive a impressão que todos ali no ônibus prestavam atenção na conversa e procuravam fazer silêncio para ouvir também. Num relance o senhor se despediu de mim, fez sinal e saltou do ônibus na Praça da Bandeira, bem debaixo da passarela e desconfiei de que ele ia para a Vila Mimosa, logo ali ao lado. Eu esqueci do livro que estava lendo, achei melhor deixar Kropotkin e suas teorias sobre o Estado para depois e fiquei com a história daquele senhor martelando na minha cabeça. Tive vontade de perguntar se ele continuava morando sozinho, se Marlene e sua filha ainda são felizes, se ele arrumou outra mulher ou se parou de beber. Mas acho que nunca mais vou encontrar aquele senhor e que eu vou ter que usar a minha imaginação se eu quiser continuar esta história. Até porque, eu não sou santo. E você?
A foto que ilustra este post não é de nenhum santo. É do Kropotkin, autor do livro que eu estava lendo antes de ser interrompido pelo tal senhor no ônibus.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Certos dias são estranhos


Sabe aqueles dias em que o despertador toca, você acorda, desliga ele, vira pro lado, pisca o olho e quando vê já se passaram minutos preciosos que vão te fazer a maior falta durante o dia? Pois é. Hoje foi assim. Quando vi já eram sete e tal. Cheguei atrasado pra aula de bike indoor e resolvi encarar a esteira. Meu pé doeu, minha lombar reclamou, meu fôlego secou e minha barriga estava lá acompanhando tudo. Tenho andado cansado ultimamente e enfrentar a academia dia sim e outro também às sete da manhã tem sido uma batalha árdua entre o bicho preguiça que existe em mim e eu mesmo. Esta manhã foi assim. Depois de me arrastar pela esteira por quase meia hora encarei uma série de abdominais pra ver se me livro de uma vez por todas da camada de toucinho que me envolve. Mas nada. No máximo descobri que abdômen tem ligação direta com joelho, pois terminei a série com meu joelho gritando que precisava de mais carinho e atenção. E daí? Na ânsia de ficar fortinho aos 40 anos, lá fui eu puxar meu ferro. Dezoito quilos em cada braço pra começar. Aumenta pra vinte quilos e é hora de alternar. Primeiro um braço depois o outro. Tem uma veia da minha testa que chega a saltar. Meus olhos ficam avermelhados. O som diminui porque o ouvido parece entupir. Puxo o ar, prendo a respiração e ainda faltam quatro exercícios da série. Olho no relógio e são oito e meia da manhã. Tenho que sair de casa no máximo às dez. Antes eu quero ler jornal com calma, comer alguma coisa, tomar banho, quem sabe até fazer a barba? Rafael, o professor gente boa que curte jogar basquete e igreja evangélica, chega perto e me faz sua clássica pergunta: "E aí, alemão, firme na rocha?". Eu, que ando sempre com um texto decorado na ponta da língua, devolvo que "tá tudo tranquilo", olho pro espelho, me certifico de que não há mais jeito de disfarçar a careca, pego minha ficha, dou um até amanhã para a turma que fica e vou pra casa.
Fora da academia o dia estava iluminado por um céu azul que só mesmo nas manhãs de outono do Rio de Janeiro. Nem calor nem frio. O barulho das crianças correndo no pátio do colégio se misturava aos dos carros apressados e lá estavam as mesmas figuras na banca de jornal da esquina. Não parei na padaria. Vou tentar diminuir o pão. Ando tomando café demais também. Nunca fui disso. Parei de fumar em dezembro e minha tosse melhorou bastante. A rinite alérgica não. Na entrada do meu prédio os porteiros batem um papo animado e um deles canta alto a música-tema da personagem de Dira Paes na novela das Índias. Entro no elevador, paro no quinto andar, que é o meu, pego o jornal, abro a porta de casa, tiro a camisa suada e vou direto pra varanda ler as notícias. Dilma continua doente. Lula teima em dizer que Dilma está curada. Vem aí o terceiro mandato, mas antes a CPI da Petrobras. Aécio vai para o PR. Serra é o candidato do PSDB e Susana Vieira é mais indelicada que nunca. Nada de novo.
Vou pro banho. Rápido que é pra economizar a água do planeta. Claudia já está pronta para ir trabalhar. Ela me apressa e eu me arrumo rápido também. Desisti de fazer a barba e resolvi que hoje vou trabalhar de bermuda. Foda-se. Está um sol lindo, é sexta-feira e a vontade é de ir para a praia. Vou pro Leblon, que é onde fica a produtora. Do lado da praia, da brisa do mar e com o Dois Irmãos ao fundo. Privilégio de poucos. O trânsito estava complicado e eu dei duas voltas até conseguir uma vaga para o carro. Uma obra no andar térreo onde funciona a produtora atrapalha ainda mais as coisas. Barulho de furadeira. Poeira. E muita gente falando ao mesmo tempo. Subo os três andares a pé, pois o prédio é antigo e não tem elevador, abro a porta, dou de cara com a Meire e o Buffara desolados. Uma tragédia: estávamos sem Internet. Lá vou eu tentar ver se resolvo, olho pra toda aquela fiação e nada. Nunca fui bom nisso. Mal e porcamente troco lâmpadas. "Chama um técnico", eu disse. Já tinham chamado mas ele só pode depois das 18h. Ou seja, todos perdidos e sem ter muito o que fazer. Totalmente reféns de tanta tecnologia. Que coisa! Para completar Buffara sai do banheiro com a notícia de qua havia acabado a água. O porteiro confirma que o Leblon todo está sem água hoje. Parece que Campo Grande, Barra da Tijuca e São Conrado também. Temos uma reunião marcada para as 15h30 e ainda não são nem meio-dia. Meire resolve que vai almoçar mais cedo. Buffara aproveita para passar em casa, já que mora ali perto. Claudio já tinha saído antes mesmo da água acabar. Fiquei sozinho na produtora e resolvi escrever, já que isto é o que sei fazer. Mesmo nestes dias em que tudo parece tão estranho.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

As coisas boas da vida


Ontem, domingo, mais uma vez fui pra cozinha preparar o almoço para a família. Meu filho mais velho estava lá em casa. Levou junto a namorada. Minha mãe levou a filha da vizinha, amiga dos meus mais novos e meu pai levou a Coca-Cola. Comigo, com a Claudia e os dois pequenos, éramos um total de 9. No cardápio, um lombinho congelado desde o Natal, que temperei com vinho tinto, limão, alho, cebola roxa, pimenta do reino, sal e louro. Ficou marinando dois dias antes de ir para o forno. Fiz também umas cebolas carameladas, umas batatas assadas no molho do lombinho, além de arroz e uma farofa de alho. Fiquei praticamente a manhã toda na cozinha preparando o almoço. O cheiro bom que saía do forno deixava todo mundo com água na boca e minha mãe disse que o prédio estava perfumado. Exagero dela.
A verdade é que o lombinho estava sensacional e todos comeram de se lambuzar. Tanto que não sobrou nem um tiquinho pra contar história. Mas, cá pra nós, o lombinho nem interessa tanto assim, o que interessa é que ontem, almoçando a comida que eu mesmo tive o prazer em fazer, na presença da minha família, fui envolvido por uma aura de emoção que pode até parecer piegas para muitos de vocês, mas que para mim não é. Desde pequeno eu sonhava em constituir uma família pra poder reunir todo mundo em volta de uma mesa farta, onde o respeito e o amor fossem peças fundamentais. E eu tive a sorte de conseguir realizar este sonho.
Até porque, não é todo mundo que tem a sorte de reunir a família numa mesa de almoço em pleno domingo; não é todo mundo que tem a sorte de ter filhos bacanas por perto e saber o valor que isso tem; não é todo mundo que sabe quanto vale uma família sólida e como é importante ter uma família como alicerce para todo o resto na vida. Ou então desperdiçam a oportunidade de conviver em família e vão em busca de sabe-se lá o quê. Isso sem dizer que não é todo mundo que tem a sorte de ter o que almoçar, seja num domingo ou em qualquer outro dia.
Eu pensei nestas coisas todas ontem enquanto almoçava. Tenho certeza que ninguém percebeu que eu pensava. Não sei se tinha mais alguém emocionado ali. Acho que não. Depois do almoço e da louça lavada, uns ficaram conversando na sala e outros na varanda. As crianças desceram para brincar no play. E eu fui pro quarto. Eu, meus botões e minha imagem de São Jorge. Agradeci a ele por me dar conta destas coisas boas da vida. É por estas e outras que a vida vale a pena. Ou não é?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Memória afetiva


Tenho uma amiga, a Érica, que assim, de cara, a gente não se gostava. Ela era amiga de uns outros amigos meus e volta e meia nos encontrávamos na casa de um ou de outro. No máximo nos cumprimentávamos com um "oi, tudo bem?" sem ao menos um beijo no rosto ou sequer um aperto de mão. Era uma frieza só. Isso pra não dizer indiferença. Um belo dia eu soube que ela tinha ido morar em Nova Iorque e por lá acabou ficando uns bons dois anos, não sei. Só sei que não senti a menor falta dela e de certo que ela também nunca deve ter lembrado de mim lá pela Big Apple.

Os tais dois anos se passaram e numa noite de segunda-feira, das sem-lei, em pleno Baixo Gávea, dei de cara com a Érica e, incrível, nos abraçamos feito amigos do peito que não se encontravam há decadas. Foi tipo cena de cinema, daqueles filmes água com açúcar da sessão da tarde, com direito a corridinha em slow motion e trilha sonora ao fundo. Uma coisa. Beirava o ridículo... Lembro que quando nos demos conta, olhamos para a cara um do outro e caímos numa gargalhada sem fim. Pausa para outro abraço. Corta.

Só sei que daquela noite em diante viramos bons amigos. Ela foi trabalhar na mesma produtora que eu semanas depois e passamos a fazer parte do dia a dia um do outro e com direito a muita cumplicidade. Ela é dona de um mau humor que já virou lenda e só quem conhece a figura sabe que aquilo tudo faz parte de uma espécie de escudo que criamos para nos defender. Na verdade acho que só os mais frágeis precisam de escudos. Alguns outros precisam de máscaras. Talvez o certo fosse aprender a usar os dois sem esquecer da hora em que devemos nos despir por inteiro e deixar escapar o que somos de verdade. Mas isso é tema para outro post. O que vale é que eu consegui conhecer o lado doce desta minha amiga Érica, da qual eu gosto muito e guardo as melhores lembranças.

Hoje em dia não nos vemos com tanta frequência mas sempre que nos encontramos temos sorrisos para distribuir. Uma vez ela me disse que isso é a tal da memória afetiva e eu acredito. Afinal, os anos teimam em passar depressa. Cada vez mais rápido, aliás, e gente teima em guardar no cofre das boas lembranças os tesouros que encontramos nesta vida. A amizade é um desses tesouros. Um dos maiores, posso afirmar. E eu tenho a sorte de ter muitos amigos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O processo criativo


Esta semana um amigo me perguntou por que eu nunca postei nenhum texto aqui sobre o meu processo de criação. Na hora eu respondi que nunca tinha pensado nisso e que talvez fosse muito pretensioso da minha parte expor tais peculiaridades, até porque eu teimo em não me considerar tão criativo ou mesmo talentoso. Isso faz parte da minha falsa modéstia, é óbvio. Na verdade eu sou muito crítico com tudo aquilo que faço ou produzo. Lembro que minha primeira poesia eu escrevi aos 9 anos de idade, mas só aos 16 ou 17 foi que mostrei meus escritos a alguém e sempre com a incerteza se os elogios eram apenas por educação ou pelo fato daquela pessoa pra quem eu mostrava o que escrevia elogiava só pra me deixar contente.
O certo é que desde os 9 anos escrevo poesias e elas, na maioria das vezes, já nascem prontas e são sussurradas no meu ouvido. Quantas eu já deixei passar por conta de não ter onde anotar na hora em que elas "baixam" e quantas outras foram modificadas porque somente um verso ou outro ficou na lembrança. Mas eu gosto de escrever poesias. Me parece fácil e rápido. Gosto do ritmo em que elas se impõem; gosto da sonoridade que costumam ter; gosto de ler e reler depois uma centena de vezes até não aguentar mais; gosto quando gostam e pedem mais. Aí eu vou e digo que preciso esperar a inspiração chegar.
Depois de crescido resolvi que ia escrever roteiros, só que por muitas vezes eu escrevi roteiros em que me baseava num ritmo poético, pois eu queria emocionar e creio que conseguia. Tem um roteiro meu, de um documentário que fiz para o SESC Rio há uns 6 anos sobre um tema triste pacas, a fome, que não há quem não se emocione. E olha que o documentário não tem nada de piegas ou sensacionalista. É que ali eu consegui encontrar uma personagem com uma história tão rica, que na hora da edição foi fácil dar o tom da emoção sem precisar apelar ou usar este ou aquele artifício que muitas vezes deixa tudo muito chato, inclusive. Nunca mais vou me esquecer da cara do então gerente responsável pelo projeto quando assistiu ao primeiro corte do documentário nem da minha cara de pau de ligar pra ele num final de semana e aprovar o texto que seria lido em off pela atriz Miriam Freeland, dona de uma das vozes mais suaves que já ouvi. Foi naquele momento que eu percebi que eu também tinha o maior jeito pra vender meu peixe. E deu supercerto.
Outro momento de criação bacana também foi junto com minha amiga Benita Prieto, quando ela me convidou para fazer o roteiro do documentário "Histórias" sobre a tradição da oralidade e a arte de contar histórias. Bastou um papo animado para logo surgir a pergunta "como seria um mundo sem histórias?" e daí, então, surgiu o roteiro. Fácil, dinâmico, rico, profundo e cheio de boas histórias, "Histórias" foi um trabalho que me deu enorme prazer em fazer e me rendeu milhares de elogios, além de uma viagem a Cuba para participar de um festival onde o documentário foi exibido. A direção é do Paulo Siqueira e tenho certeza de que este filme também o deixa cheio de orgulho.
Mas não sei responder se criar é algo fácil ou difícil. Muitas vezes a tela do meu computador em branco me angustia, mas de outras vezes a mesma tela em branco me inspira e é o meio pelo qual eu melhor consigo me expressar. Não sou muito bom quando me pedem para falar. Em público, então, tremo na base literalmente. A voz desaparece, o coração sai pela boca, fico vermelho, tenso. Um vexame. Prefiro escrever. Mas não tenho uma regra. O que tenho é inspiração. Ainda bem.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Dentro da minha cabeça


Outro dia comentei num blog de uma amiga minha, a Adriana Pinheiro, aquela da receita de cuscus marroquino, que ir ao cinema sozinho é comigo mesmo. Eu curto e vários de vocês devem curtir também. Mas o que me chamou a atenção foi que simultaneamente ao escrever a frase meu pensamento me soprava "ir ao cinema sozinho ou comigo mesmo?" e este jogo de palavras até agora está martelando minha cabeça. Afinal, eu vou ao cinema sozinho ou comigo mesmo?
Alguns psicólogos teimam em afirmar que quando somos crianças temos amigos invisíveis. Eu posso garantir que nunca tive. Meus filhos também me garantem que nunca tiveram unzinho sequer. E eu acredito neles. Mas quem sou eu para duvidar dos psicólogos, né? Todos tão empenhados em entender a mente humana, tarefa que eu considero ingrata pra caramba, aliás. E pretensiosa também, convenhamos. Confesso que já tentei entender a minha. Só a minha. Mas desisti faz tempo.
O certo é que eu nunca tive um amigo invisível, mas ouço vozes. Sim. Ouço minha voz interior o dia inteiro. A mesma voz que me disse "ir ao cinema sozinho ou comigo mesmo?" enquanto eu comentava no tal blog da minha amiga. E ela fala comigo sem parar. Não sei se é a voz da razão, se é o tal do livre arbítrio, ou se é minha parcela de esquizofrenia que teima em me dar um alô. Só sei que tem horas que rola um bate-papo infernal dentro da minha cabeça. Eu comigo mesmo. Daí que eu começo a achar que nunca estou sozinho porque, mesmo que eu esteja pensando que eu estou sozinho, eu estou comigo mesmo e esse comigo mesmo fala pelos cotovelos. Vai ver é por isso que eu sou capaz de ficar horas calado, sem falar uma palavra sequer. Completamente mudo, o que deixa uns e outros intrigados até. Na verdade estou só prestando atenção no que eles estão falando. Afinal, desde pequeno eu dou muita atenção ao que me dizem.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Aquilo que o povo quer


Há cerca de um mês eu tenho saído às ruas em busca de depoimentos de populares a respeito de determinados temas como política, reeleição, crise econômica, segurança, desemprego e mais o que o povo estiver a fim de falar. Eu faço questão de deixar meus entrevistados bem à vontade e afirmo que minha equipe está ali para servi-los e que é uma ótima oportunidade para eles falarem o que quiserem e mandarem seus recados para quem bem entenderem. Já estive no Largo do Machado, no Largo da Carioca e na Central do Brasil e o povo literalmente solta o verbo sem a menor cerimônia. Desde o trabalhador mais humilde ao engravatado e à madame, a voz do povo forma um coro em uníssono, pois no geral as preocupações, as decepções e as angústias são as mesmas.
A segurança, ou melhor, a falta dela aqui no Rio de Janeiro, é um ponto comum a todos os entrevistados. Seja para aquele que mora na baixada ou nas comunidades até ao mauricinho bem nascido da zona sul carioca, a violência afeta diretamente a vida de todos. Bastam poucos segundos em frente à câmera para o tema vir à tona, assim como a descrença nas ações do governo para solucionar tamanho problema. Assaltos, homicídios, brigas, tráfico de drogas. Cada um destes temas faz parte da realidade e da vida de cada cidadão que mora no Rio de Janeiro. Não importa onde. Do Leblon a Bangu. De Madureira a Copacabana. Do Méier ao Rio Comprido. De Campo Grande à Tijuca. Não há um bairro nesta cidade que ainda considero maravilhosa que não tenha uma história triste de violência para contar. E os depoimentos que colhi não me deixam mentir.
Assim também como não me deixam mentir os depoimentos sobre o descrédito com os políticos e com aqueles que fazem da vida pública nada mais que um instrumento para alavancar seus interesses pessoais. E confesso que isto muito me entristece, ainda mais depois de uma longa e esclarecedora conversa com Givaldo Siqueira no final da tarde de hoje e que terminou numa carona dentro de um táxi, da Praia do Flamengo até o Castelo. Givaldo é da executiva nacional do PPS, o Partido Popular Socialista, antigo PCB, o Partido Comunista Brasileiro, mais conhecido como Partidão.
Figura ilustre, atuante e grande conhecedor da política brasileira, Givaldo carrega no seu DNA a crença na luta contra as desigualdades e a paixão pela política. Viveu anos na clandestinidade, desde as primeiras horas do fatídico dia 1 de Abril de 1964 até meados de 1980, quando retornou do exílio no exterior. Conhece a fundo as questões do nosso Brasil e é amante da liberdade em todas as suas manifestações. E justamente por ser um defensor da democracia, Givaldo também se preocupa, e muito, quando percebe o descrédito cada vez mais crescente com aqueles que deveriam representar o povo e a política nacional. "É um vírus muito perigoso e que está solto por aí", diz ele. Eu concordo. E me angustio ao ver que o povo, a massa, parece não perceber a orquestração por trás disso tudo, como se o único objetivo fosse nivelar a todos por baixo, para cada vez mais parecer que a classe política é, como se diz no popular, "tudo farinha do mesmo saco". Esta semana mesmo fomos "surpreendidos" com mais um escândalo envolvendo nossos parlamentares. Desta vez foi a farra das passagens e das viagens aos exterior dos deputados e suas famílias. Tudo pago com dinheiro do contribuinte. Aquele mesmo contribuinte que há cerca de um mês eu tenho entrevistado nas ruas desta minha cidade. Aquele mesmo contribuinte que quer ter direito à educação, à segurança, à saúde, ao emprego. E pelo que eu pude ver e ouvir nestas minhas entrevistas, o povo só quer o básico. Só isso.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Salve Jorge!


Aqui no subúrbio do Rio de Janeiro o dia 23 de abril começa com uma grande queima de fogos. À meia-noite e no alvorecer. Desde pequeno eu me encanto e me emociono com a devoção ao Santo Guerreiro e lembro de uma vez ter ido à igreja de São Jorge em Quintino. Agora, depois de bem crescidinho, sempre que posso entro na igreja de São Jorge lá no Campo de Santana, faço minhas orações, acendo uma vela e sigo meu caminho.
Hoje, dia 23 de abril, já cruzei com uma dezenas de pessoas nas ruas vestidas com camisas com a imagem do Santo Guerreiro estampadas. Elas estão vestidas com as roupas e as armas de Jorge. À meia-noite, em meio ao foguetório, eu estava rezando. Porque eu também sou filho dele.

Oração a São Jorge

Chagas abertas, Sagrado Coração, todo amor e bondade, o sangue do meu Senhor Jesus Cristo, no corpo meu se derrame hoje e sempre. Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão, facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se rebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua Santa e Divina Graça, a Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu Sagrado e divino manto, me protegendo em todas minhas dores e aflições, e Deus com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor, contra as maldades e perseguições dos meus inimigos. E o glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, e em nome da falange do Divino Espírito Santo, me estenda o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências, e que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar. Assim seja com o poder de Deus e de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

Amém.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O dia em que a girafa engasgou


Sexta-feira santa. Dia de comer bacalhau. Dia de ir à igreja. Dia de rezar. Dia de procissão e de lembrar da paixão de Cristo. Mas meus filhos quiseram ir ao zoológico pela enésima vez e como era feriado, estávamos todos em casa, lá fomos nós ver a bicharada. Lembro que quando era pequeno eu tive trauma de zoológico porque meu irmão, aquele da baba azul, sempre que meus pais perguntavam onde ele queria passear, ele mandava na lata: "quero ver bicho". Devo ter ido umas 819 vezes ao zoológico na minha infância. Atualmente não tem sido diferente, pois meu filho do meio é tão fissurado em animais que não se cansa de repetir que na próxima vida quer nascer elefante. Não me pergunte o por quê. E o passeio que ele mais gosta de fazer, claro, é ir ao zoológico.
Desta vez, estrategicamente, já chegamos lá por volta das 15h. Os portões fecham as 17h. Ou seja, apenas duas horinhas e olhe lá. Está de bom tamanho. O trajeto é praticamente o mesmo: primeiro as araras e os pavões (que agora ficam soltos); depois a gente vai ver os macacos e, agora que o filho do meio sabe ler, as placas explicativas são lidas de cabo a rabo e haja paciência pra saber do que eles se alimentam e de onde eles vêm. Devo confessar que a bunda de um mandril, que é uma espécie de macaco, me chamou a atenção. Estava vermelha e inchada, parecendo carne viva, mas acho que era uma fêmea e ela estava no cio. Até porque, o outro macaco, na mesma jaula, não parava de olhar para aquele bundão. Acho que depois que os portões do zôo fechassem o bicho ia pegar. Literalmente.
Fizemos a curva à esquerda e por pouco não tomamos um banho de "caca" de chimpanzé, pois o tal estava atacado e uma multidão se aglomerava na frente da sua jaula incitando-o a fazer gracinha. Numa das centenas de vezes que estive no zoológico com meus filhos menores, o do meio, o que quer nascer elefante da próxima vez, foi premiado com "caca" de chimpanzé no pé. Se eu já acho ruim limpar bunda de criança, imagina a minha cara na hora de limpar pé com cocô de macaco? Mas desta vez escapamos ilesos.
Dos macacos fomos direto ver os felinos. Linces, onças pintadas, onças pardas, jaguatiricas, tigres e um leão nervoso pacas, que rugia fazendo tudo em volta tremer. Tinha criança chorando de medo até. Não sei se você já teve a oportunidade de ver um leão rugir de perto. É impressionante. Acho que é por isso que ele é o rei, na boa. Ganha no grito, sabe?
Logo mais à frente foi a vez do elefante. Sempre tive pena do elefante do zoológico do Rio, pois ele vive sozinho, sem uma companheira. Não deve ser nada legal viver ali sozinho, mesmo que seus "aposentos" sejam confortáveis. O cara tem até direito à piscina, é mole? Mas parece não ligar muito pra isso não, pois de todas as vezes em que eu estive no zôo, só vi o elefante na piscina uma vez. Das outras vezes ele está sempre lá, paradão, balançando a tromba pra cá e pra lá. Vidinha mais sem graça.

Bem pertinho do elefante moram as girafas. Eu tenho a maior simpatia por girafas e sempre que encontro com elas faço questão de pegar umas folhas, esticar o braço e ver aquele pescoção chegar perto e comer as folhas na minha mão. Meus filhos adoram e me acham o máximo por causa disso. Ou me acahavam, sei lá... porque desta vez eu quis fazer diferente e peguei um galho de uma planta de um canteiro e lá fui eu belo e faceiro com meu galho na mão oferecer à girafa. Ela, claro, não pensou duas vezes e abocanhou a galhada de uma só vez. Foi aí que começou o estresse. Não sei se a folhagem não tinha um gosto agradável ou se os galhos não eram tão macios e suculentos, mas a coitada da girafa começou a engasgar e a botar uma língua quilométrica pra fora, como se estivesse sufocando. Meus filhos me olharam como quem diz "ela vai morrer, papai?". Fiquei nervoso. Sem graça. Com um bando de gente me olhando como se me dissessem "seu mané, não sabe que é proibido alimentar os animais?".
Logo veio um guardinha e perguntou o que havia acontecido. Uma das crianças que estava por perto e viu tudo foi logo apontando pra mim, dizendo pra autoridade que eu tinha dado um galho pra girafa comer. Se eu pudesse, teria virado avestruz na hora, porque minha vontade foi a de enfiar o pescoço debaixo da terra e me esconder. Mas eu fiz aquela cara assim de quem fez merda e disse: "é... um galhinho de nada... e ela engasgou". Nunca mais vou me esquecer do olhar fuzilante que o guardinha me lançou nem da minha sensação de alívio quando a girafa finalmente conseguiu engolir o tal galho. Imagina se ela morre? Eu nunca mais ia poder entrar num zoológico, né?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Receita roubada


Esta receita que publico hoje é um "Cuscus marroquino à moda da Adriana Pinheiro", mulher de um amigo meu, o Romano, autor da foto que ilustra este post. Ela também tem um blog (adrianapinheiro.blogspot.com), o qual visito sempre que posso e foi numa destas visitas que dei de cara com esta receita que parece ser deliciosa e uma ótima pedida para a Páscoa!


Ingredientes: (para servir 4 pessoas)

1 kg de camarão

1 cabeça de alho

1cebola grande

2 cenouras grandes

6 colheres de sopa de azeite de oliva

1 colher de chá de curry

2 colheres de chá de cominho em pó

1 punhado de passas pretas

1 punhado de castanhas de caju

2 copos (de 300ml) de cuscus marroquino

1 colher de chá de manteiga

1 molho de coentro fresco

sal e pimenta do reino


Modo de fazer:

A Adriana costuma fazer esta receita em 3 panelas diferentes. No final é que ela junta tudo. Primeiro ela limpa o camarão e refoga no azeite e no alho todo socado, sal e pimenta do reino por uns 5 minutos em uma panela. E pronto... deixa quieto.


Em outra panela, ela prepara o cuscus puro, seguindo as intruções da embalagem, que são as seguintes: ferver 2 copos de água com um filete de azeite de oliva. Quando ferver, desligue o fogo e jogue na água a mesma quantidade de cuscus (2 copos). Tampe a panela e deixe o cuscus crescer sozinho por uns 7 minutos. Depois, jogue uma pitada de sal, uma colher de chá de manteiga e dê uma destrinchada com um garfo pra ficar bem soltinho. Pronto. Enquanto isso, em uma panela grande, refogue a cebola e as cenouras (tudo ralado em tiras) em umas 3 colheres de azeite. Quando começar a chiar, jogue o cominho e o curry, fique mexendo e sinta o incrível aroma que sobe da panela... depois é hora de jogar o camarão, as passas, a castanha de caju e por fim o cuscus. Misture tudo muito bem. Corrija o sal e só na hora de servir junte muitas folhinhas de coentro. Aí, é só comer e correr pro abraço!


Adriana diz que esta é uma receita super versátil (você pode alterar o que vai no cuscus, mantendo a base que são a cebola e as cenouras) e fácil de fazer. No cuscus da foto acima Adriana não tinha passas e castanhas em casa e botou nirá. Está com uma cara ótima!


Assim como a Adriana, eu também gosto de cozinhar coisas práticas que não demorem horas pra preparar. Ela me deu a dica de um livro de receitas do Pedro Asbeg, "Bonito, Barato e Gostoso - cozinhando com sobras", 7 letras. Nele, Pedro dá receitas fáceis e deliciosas pra fazer com aqueles restinhos de comida que ficam encalhados na geladeira. Segundo ela, o bom Pedrinho também dá umas receitas, mais "sofisti", no site do seu bufê, "Pura Culinária". Vou acessar e virar freguês.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A pele que solta do osso


Envelhecer não é tarefa das mais fáceis. Dia desses me disseram que quando a gente completa 40 anos parte de nossa essência, aquela que trazemos de herança de nossos pais, se acaba. Acho que é daí que começam os primeiros sinais de que a idade está chegando, junto com a visão que começa a ficar turva na hora de ler uma bula, por exemplo, ou a quantidade de dores que começa a pipocar nas mais variadas partes do nosso corpo. E eu afirmo que envelhecer não é tarefa das mais fáceis porque apesar de nosso corpo começar a dar sinais de cansaço, nossa cabeça parece entrar na sua melhor fase.

Se na adolescência temos todo o vigor para encarar madrugadas na maior das gandaias sem pensar muito no dia de amanhã, anos mais tarde parece que pensar no dia de amanhã e ver de perto o futuro chegar (nem sempre da maneira como imaginamos, é bom lembrar) é o maior dos presentes. Ou, melhor, é a maior recompensa da maturidade.

Os cabelos caem. As marcas da idade aparecem. Tudo ao redor fica cada vez mais veloz. O sono chega mais cedo. As manhãs também. Ficamos mais seletivos. Mais pacientes. Mais generosos. Mais atenciosos até. Perdemos a vergonha porque não temos tempo a perder. Esquecemos as frases feitas. Acumulamos livros na cabeceira. Ouvimos as mesmas músicas. Dançamos cada vez menos e tentamos aproveitar tudo cada vez mais.

A barriga teima em não desaparecer. O metabolismo está mais lento. E junto vem o colesterol, a diabetes, a gota, o reumatismo e as bursites. Mas tudo isso é normal. Faz parte do ciclo da vida. E se compararmos a nossa realidade atual com os tempos dos nossos avós, quando os 30 e poucos pareciam 60 e tal, talvez daqui a poucas décadas comemorar 100 anos seja algo bastante corriqueiro e , por que não?, jovial.

Ainda falta muito para eu completar um século de vida. Para ser mais exato, faltam 60 anos. Não sei se viverei tudo isso. Sei que torço para que até lá a medicina encontre um jeito de fazer com que a minha pele não solte do osso tão cedo. Nem a sua.

sábado, 4 de abril de 2009

www.canallondres.tv


Eu conheço Paraty, Rio das Ostras, Búzios. Conheço Vila dos Remédios, Havana, Buenos Aires. São Paulo, Natal e Brasília eu também conheço. E não conheço muito mais do que isso não. Viajei bem menos do que eu gostaria nesta minha vida. Faço planos de cruzar o Atlântico em breve. Penso também em visitar a Turquia e passear de balão na Capadócia, quero conhecer as ilhas gregas, quero ir à Barcelona, tomar um café em Paris e passar uns dias em paz junto aos monges no Tibet.
O roteiro destas e de outras viagens já estão na minha cabeça, mas este post aqui é para dividir com vocês um site de um amigo meu, o Silvino, que já foi citado num post anterior. Ele acabou de colocar no ar o http://www.canallondres.tv/, um canal na web voltado para brasileiros que moram em Londres ou para aqueles que, como eu, desejam saber mais sobre esta que é uma das cidades mais fascinantes do planeta.
Alguns outros amigos como Beta, Mino e Gus também participaram da concepção do canal, seja como apresentadores, editores, direção ou captação de imagens e o resultado está muito bacana. Vale a pena conferir. Vale a pena conhecer Londres com eles. Eu curti.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O episódio da baba azul


Eu tinha 13 anos e meu irmão já tinha feito 11. Há anos tínhamos um gato em casa, o Peter, vira-latas mesmo, mas de tão grande e gordo, mais parecia um gato da raça angorá. Ele era branco com algumas poucas manchas pretas, peludo e vivia deitado em cima da televisão da sala lá de casa. Era manso, carinhoso e completamente apaixonado pelo meu irmão. E vice-versa. Não sei bem como ele apareceu lá em casa, mas certamente foi Marcelo, o meu irmão, quem arrumou o bichano. Até porque eu sempre fui adepto de bichos soltos ou então no zoológico. Mas como a casa não era só minha e minha mãe fazia todas as nossas vontades, as vontades do meu irmão de ter cachorro, gato, rato de laboratório, pato, peixe, tartarugas e periquitos eram sempre satisfeitas. Isso tudo num apartamento de sala, dois quartos e sem varanda. Imaginou a situação? Mas até que do Peter eu gostava. Não incomodava ninguém. Era limpinho. Cheiroso até.
Só que um dia ele morreu. Foi assim: meu irmão adorava o gato e o gato estava sempre onde meu irmão estivesse. Um belo dia meu irmão abraçou o gato e rodou com ele na cama, como um casal de namorados apaixonado. Na certa o gato se desesperou, sentiu que ia ser esmagado e nhac! Deu-lhe uma mordida no rosto, bem naquela bolsa abaixo dos olhos, sabe? Foi um desespero, um quiprocó, um bafáfá. Meus pais ficaram tão nervosos que resolveram que o Peter não chegaria mais perto do Marcelo. Se o Marcelo estivesse no quarto, a porta estaria trancada; no quarto da minha mãe, que tinha uma janela que dava pra sala, porta e janela fechadas. O Peter, coitado, ficou louco. Queria porque queria ficar perto do Marcelo até que um belo dia ele pulou da janela da sala para a janela do quarto da minha mãe, só que a tal janela estava fechada e o gato bateu com a cabeça no vidro e acabou caindo do terceiro andar. Imagine o drama e a choradeira de todos lá em casa.
Para completar a tragédia poucos dias depois eu resolvi sacanear o meu irmão e enquanto ele dormia eu pintei sua boca com uma tinta azul. Meu pai naquele tempo já não morava mais lá em casa, mas pelo fato da mordida do gato e do gato ter morrido, os médicos pediram que meu irmão ficasse em observação e lá estava meu pai de prontidão. Naquela madrugada, ao fazer a ronda pra ver se estava tudo bem, meu pai deu de cara com meu irmão babando... azul. Lembro que acordei com os gritos de "Lígia... Marcelo está babando azul!". Minha mãe levantou assustada, na certa já com um terço nas mãos e começou a fazer suas orações. Tenho até hoje a imagem do meu pai colhendo a baba do meu irmão com um lenço branco que foi direto para exame num laboratório assim que o dia amanheceu. Eu, claro, fiquei apavorado com o desespero dos meus pais e calado estava, calado fiquei, com medo de que sobrasse pra mim.
O resultado do exame foi algo como "substância salivar fluorescente não identificada" ou qualquer coisa parecida e por conta disso meu irmão teve de tomar uma série de injeções na barriga. Afinal, ser mordido por um gato, este gato morrer e a pessoa começar a babar azul era mesmo preocupante. Eu só contei a verdade desta história muitos anos depois, num almoço em familia e com a presença da minha madrinha, como se ela fosse garantia de que eu não apanharia do meu pai.
Na verdade eu nunca apanhei dos meus pais. Se tivesse apanhado talvez não teria feito metade das coisas que eu fiz. Ou então teria feito muito mais, né? Vai saber...

domingo, 29 de março de 2009

osgemeos


Sexta-feira, 27 de março, 17h. Fazia um certo tempo que não entrava no Centro Cultural Banco do Brasil. Nem lembro qual teria sido a última vez. E isso também pouco importa. O certo é que nesta sexta fui ao CCBB para ver a exposição dos gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo, os quais eu já conhecia desde uns grafites que vi em São Paulo há pelo menos uns 4 anos. A exposição ocupa apenas duas salas do segundo andar do centro cultural e o que poderia parecer pequeno, cresce quando a questão passa a ser o universo imaginário dos irmãos que começaram pintando muros do bairro paulistano do Cambuci. Os personagens grafitados nas obras têm olhos ingênuos, de traços simples, mas profundos ao retratarem a realidade do que se vê ao redor de suas imagens. E a riqueza dos detalhes, o colorido, o inusitado e a interatividade com a obra dos gêmeos torna tudo ainda mais surpreendente.

Numa das salas reservadas à exposição, o que parece ser apenas alguns rabiscos nas paredes, revela uma mistura entre poesia e artes plásticas, gerando curiosidades, surpresas, emoções e até mesmo um certo incômodo, seja no que se vê, se toca, se sente ou se lê. No meu caso foi a frase escrita numa das paredes que dizia mais ou menos assim: "... quando se começa a andar em círculos é porque todo o resto está errado."

Eu acho que já andei em círculos. Acho, não, tenho certeza. E tudo estava mesmo muito errado. Já faz um tempo que tento andar em linha reta sabendo que não posso fugir das curvas nem dos altos e baixos desta caminhada. Só não poderia imaginar que seria por conta de uma exposição que todos estes pensamentos se dariam na minha cabeça. Daí que eu recomendo uma exposição de vez em quando. Portanto, corra para o centro cultural mais próximo de você!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Zona de desconforto


Foi na madrugada de sábado para domingo que eu ouvi pela primeira vez que eu tenho o dom de deixar certas pessoas em zonas de desconforto. Concordo. Tenho mesmo este dom. Mas há de se concordar também que estas certas pessoas têm o dom de se deixarem levar para zonas de desconforto de uma maneira muito fácil. Não sei se é por conta da minha sensibilidade exarcebada, mas eu reconheço muito rápido as fraquezas de uns e de outros e alguns acham que me aproveito disso. Para o bem e para o mal. Mas não é verdade. Não me aproveito não e muitas das vezes eu acabo me vendo em situações delicadas, mal entendidos, discussões e até mesmo objeto da ira de muitos. E, cá pra nós, não é nada agradável ser motivo de manifestações de ódio explícitas.
Na verdade estas pessoas que se sentem atingidas por mim costumam ser pessoas mal resolvidas, preconceituosas consigo mesmas, com suas convicções fragilizadas, crenças desacreditadas e um imenso mal estar interno constante. Ou seja, eu não tenho culpa de nada. E nem se quisessem me fazer sentir culpado conseguiriam. Porque nada, ou quase nada, me deixa em zona de desconforto.
No mais, procurem um psicólogo. Ou melhor, um psiquiatra!

terça-feira, 24 de março de 2009

Microsoft se rende ao Twitter


O Twitter completou 3 anos esta semana e de presente anunciou uma parceria com a Federated Media, patrocinada pela gigante Microsoft. O negócio, anunciado nesta segunda-feira, dia 23 de março, pelo microblog, tornou-se a primeira iniciativa publicitária no site.

A novidade da iniciativa é o serviço ExecTweets, que disponibiliza perfis de executivos e indica profissionais os quais os usuários deveriam seguir, além de um sistema de votação para que os visitantes escolham os posts mais interessantes.

A idéia da Federated Media é lançar outros projetos similares com diversos anunciantes e o ExecTweets representa uma tentativa do Twitter faturar com sua base de usuários para se sustentar financeiramente sem depender dos investimentos em capital de risco.

O certo é que a Microsoft exibirá sua marca no Twitter. Já o valor pago pela companhia não foi divulgado. O certo também é que eu não tenho um Twitter. Ainda... e vc?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Encurtando distâncias


Desde que eu comecei a sentir o peso da idade chegar mais perto parece que todo o resto ficou mais longe. Se aos vinte e poucos anos eu achava tranquilo me locomover do Méier ao Leblon de ônibus a hora que fosse, hoje em dia, aos 40, penso duas, três, quatro vezes antes de sair de casa, mesmo que de carro.

Sinto falta dos meus amigos, isso é verdade. Hoje mesmo Fred e Raul me ligaram logo cedo para ver se rolava da gente se encontrar. Não rolou. Quem sabe semana que vem? Hoje também falei com o Henrique, outro grande e velho amigo com quem já não me encontro desde dezembro, quando minha turma de faculdade resolveu comemorar os 20 anos de amizade. Por sorte temos email e telefone celular que é pra distância ficar menor. E mesmo assim muitas vezes falta tempo pra gente escrever umas poucas linhas ou dar um alô.

Isso tudo me lembra um filme que vi há mais de uma década, "Denise está chamando", onde os personagens, todos amigos, não tinham mais tempo para se encontrar e só se comunicavam através de telefonemas e mensagens eletrônicas. Não havia mais tempo para uma conversa fiada cara-a-cara ou um encontro de fim de tarde num barzinho qualquer. Todos eram too busy, isolados e distanciados pelo sistema. E tudo isso ainda soa muito estranho pra mim.

Mas pode ser que com o tempo passando e a idade se aproximando cada vez mais rápido eu me acostume com tudo isso. Pode ser até que eu me isole e que só me comunique com o mundo através do meu lap top. Pode ser...

quinta-feira, 19 de março de 2009

House of Cards e as Infinitas Possibilidades


Amanhã tem show do Radiohead aqui no Rio. Vai ser na Apoteose. Eu não vou. Também, com ingressos a R$200,00, eu só iria se conseguisse algum convite. Bem que eu tentei com alguns amigos que trabalham em rádios e gravadoras, mas infelizmente não rolou. Tudo bem. Eu tenho quase todas as músicas deles baixadas no meu mp3 e passei o dia inteirinho de hoje ouvindo o som dos caras, especialmente a música House of Cards. Se fosse LP garanto que já teria furado de tanto que eu repeti a mesma faixa. Por sorte não é. E por sorte a tecnologia me permite ouvir quantas vezes eu quiser e bem entender. Basta eu programar. Assisti também ao clipe no Youtube enquanto conversava com um amigo que está em Londres, o Silvino, e que tem me dado uns toques bacanas a respeito de produção de vídeos para Internet. Aliás, cada vez mais me dou conta das infinitas posibilidades deste mundo virtual chamado Internet. Estou completamente fascinado. E olha que Internet não é novidade pra mim desde 1998, quando trabalhei numa assessoria de comunicação do mercado financeiro e só nos comunicávamos via emails; depois foram mais 4 anos pelo menos de Microsoft e todas as manhas do MSN e da linguagem html. Posso afirmar sem medo de errar que não há nada mais democrático. E cada vez mais tenho a certeza de que não há nada mais promissor, principalmente em se tratando do mercado audiovisual.
Mas voltando ao Radiohead, procure por House of Cards no Youtube. O clipe é sensacional. Uma verdadeira viagem. Viaje você também. Ou então vá ao show e depois me conte.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cigarrinho do Obama


O cigarrinho do capeta eu conheço faz tempo... mas esse do Obama?! Tremenda viagem à minha infância. Quem diria onde esse garoto ia chegar, né não?

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Apocalipse ou A Crise Anunciada


Há uma enorme crise assolando a economia mundial e já faz um tempo que só se fala nisso. Não sei se foi ontem ou anteontem que uma matéria no Jornal Nacional revelou que já existem favelas nos EUA; há algumas semanas o Fantástico mostrou que o Japão está quebrado; mês passado foi a vez da Inglaterra assumir que sua economia está em recessão; a cada dia milhares de novos desempregados no mundo inteiro; as guerras não terminam e outras tantas se anunciam. Isso me dá o maior desespero.

Conversando com uns amigos hoje na hora do temporal (caiu um temporal e tanto no Rio de Janeiro hoje, sexta-feira 13, por volta das 19h), na varanda da agência/produtora, no Leblon, o assunto crise, claro, veio à tona. O que começou com um papo sobre o futuro das produções de Hollywood em tempos de vacas magras terminou com uma visão catastrófica do mundo em que vivemos. Do nada um virou-se e disse que estava na hora da China atacar os Estados Unidos, pois este nunca esteve tão vulnerável; o outro afirmou com todas as letras que cedo ou tarde a Coréia do Norte vai atacar o Japão porque é assim desde que o mundo é mundo. E se pararmos para pensar é a mais absoluta verdade. O homem sempre viveu em guerra.
Desde pequeno que eu tenho o maior medo deste tal de fim de mundo. Não que eu tivesse medo de morrer, mas sim de que maneira isso poderia acontecer. Houve uma época que eu tinha paranóia com inundações, pois eu tenho o maior grilo de morrer afogado. Morte lenta. Esquisita. Se é para escolher, que caia o avião e eu exploda dentro, mas que meu barquinho nunca afunde e que eu não fique preso num compartimento vendo a água chegar no meu nariz, feito aquele filme O Destino do Poseidon, lembra?
Na minha adolescência apareceu lá em casa um livro sobre as profecias de Nostradamus e eu olhava pra ele meio que de rabo de olho. Nunca quis ler sequer uma página que era para não ficar impressionado. Eu preferia acreditar num futuro mais bonito por mais que o cenário fosse o pior possível. Hoje eu vejo que a coisa está realmente muito feia mas eu ainda tenho tantas coisas para realizar por aqui que não é possível que tudo acabe antes do fim. Eu torço pela prorrogação que é pra eu poder marcar meu gol e deixar o campo mais tranquilo. Pra eu deixar um mundo mais sereno pros meus filhos. Um mundo mais simples. Sem crises e muito mais cheio de amor. Porque é nisso que eu acredito.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sina


Se o Caetano pode djavanear e o Djavan pode caetanear, a Neusinha também tem todo o direito de lamuniar. E que isso fique bem claro!

Quiche do Amigo Aqui


Faz uma semana que recebi duas amigas muito queridas aqui em casa, Denise e Neusinha. A Denise é quase irmã, sei lá, pois nos conhecemos desde muito pequenos, moleques mesmo, ainda na infância; a Neusinha eu conheci há exatos 21 anos, quando entramos na faculdade, cheios de sonhos e a certeza de que o mundo era nosso. Hoje, passado tanto tempo, vejo que continuamos sonhando, só que matando um leão por dia para conquistar nosso lugar nesse mundinho que na verdade é de meu Deus.
Não mudamos muita coisa: uma careca aqui, um pouquinho de barriga ali e uns fios de cabelos brancos acolá, mas de certo mesmo só a amizade. Eu e Denise praticamente nunca nos desgrudamos em todo este tempo. Cá pra nós, são mais de 30 anos de amizade e cumplicidade e histórias e risadas e livros e cds roubados um do outro e por aí vai. Eu e Neusinha ficamos um tempo sem nos ver e eu jurava que jamais iria encontrá-la de novo, mas amizade é amizade, e como diz o Fred, meu grande camarada, a memória afetiva não nos deixa esquecer daqueles que nos são realmente queridos. Portanto já não sei quanto tempo faz que voltamos a nos ver e a nos falar com frequência. Uma frequência sem cobranças, como deve ser toda e qualquer relação saudável entre amigos que se amam. O mais legal é que hoje os filhos dos amigos são amigos dos meus filhos. Mas esta é uma outra história que está só começando.

E foi para estas minhas duas amigas que eu fiz a receita que segue abaixo, que vou batizar de "Quiche do Amigo Aqui", ok? Anote os ingredientes. É molinho de fazer!

Ingredientes para a massa:
2 tabletes de claybom (200 gr)
400gr de farinha de trigo

Amasse bem com as mãos até obter uma massa homogênea e forre um tabuleiro sem precisar untar. Por acaso aqui em casa rola aquele tabuleiro que solta o fundo, próprio para tortas, mas se você não tiver, no problem. Manda ver num tabuleiro normal mesmo ou num pirex. Leve ao forno alto assim, sem recheio, para assar por uns dez minutos.

Ingredientes para o recheio:
1 1/2 copo de leite + 1 colher de sopa de maisena
400gr de queijo minas
100gr de queijo parmesão de boa qualidade
3 ovos inteiros
Sal e pimenta a gosto
E tudo mais o que tiver na sua geladeira e você achar que vai cair bem como recheio
Bata tudo no liquidificador

Eu costumo sair catando todos aqueles restos de queijo que estão ficando duros na geladeira; se tiver salame fatiado eu também jogo no liquidificador e misturo no recheio; presunto; requeijão; queijo gorgonzola e por aí vai.

No mais, derrame o recheio sobre a massa que já ficou uns minutos no forno e deixe assar por meia hora em forno médio ou até você espetar um garfo ou um palito de fósforo no recheio e o mesmo sair sequinho.

Sirva quentinho com uma salada verde.

Perguntem pra Neusa e pra Denise se não fica bom pacas!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Um homem e dois corações


Morre o homem com dois corações. Esta era a manchete da notícia que acabei de ler na internet. Foi em São Paulo, onde o tal homem havia se submetido a um transplante para receber um coração de doador, que funcionaria ao lado do original, já comprometido, porém ainda com batimentos.


A história da doença do homem não tem nada de romântica e muito menos engraçada. É trágica e tão cheia de complicações que até mesmo os médicos se enrolam para explicar. O que me chamou a atenção foi o fato do homem ter dois corações e se isto o conferia a qualidade de saber amar mais que eu, que só tenho um coração. Ou mais que você. Ou mais que todos nós.


É claro que parto de uma enorme licença poética para pensar assim. Além do mais, não sei se já te disse, mas antes de qualquer coisa eu sou poeta. E nós, poetas, amamos demais e então nossos corações batem num ritmo diferente. Daí que quando eu li a manchete imaginei logo a história de um poeta que amava mais que os demais porque tinha dois corações. E aquele poeta havia morrido porque os dois corações transbordavam tanta emoção que esta mesma emoção acabou com a sua razão. E não há desculpa quando a gente perde a razão.

Mas e nós, poetas, precisamos mesmo da razão?

sábado, 7 de março de 2009

Dia 8 de março, um dia só para elas


Sim, um viva às mulheres! Às que nos aturam, que nos paparicam, que nos botam no mundo (Salve Dona Lígia!), que nos fazem ir à luta, que nos botam no colo. Sim. Mil vivas às mulheres! Às que dividem as contas, que seguram a barra, que chegam junto, que nos dão as mãos, que são nossas amigas, companheiras, amantes, confidentes.
Hoje as mulheres são mais do que mães e donas-de-casa. Hoje elas estão no mercado de trabalho conquistando cada vez mais espaço. Espaço que até então era nosso, dos homens. De certo que tudo isto acirrou a disputa e a guerra entre os sexos. Hoje elas dirigem empresas, controlam suas próprias vidas (tá certo, algumas também controlam a vida dos filhos e maridos), fumam, se estressam, amam, desamam, mandam, desmandam. Levam, eu diria, vida de homem. E digo isto sem um ranço sequer de machismo. É apenas uma constatação. Até porque, minha mulher já confessou várias vezes que queria ter vida de madame. Quem sabe eu não ganho na mega sena na semana que vem? Por ora, dou graças a Deus que ela trabalhe. E dou graças a Deus também por ter esbarrado com ela aqui nesta vida. Se eu puder escolher, quero encontrar com ela nas próximas.
No mais, quando é mesmo que se comemora o Dia Internacional do Homem? Ou será que não merecemos?

A Rastros Filmes está no ar!


Estou sumido, eu sei. Faz mais de duas semanas que não publico uma linha sequer neste meu blog. Mas não foi por falta de inspiração não. Várias coisas aconteceram e eu presenciei outras tantas que valeriam as mais divertidas histórias, a começar pelo sumiço da Jujuba, a calopsita da minha vizinha do sétimo andar na manhã desta última quinta-feira. Foi o acontecimento da semana aqui no meu condomício (condomínio + hospício!), podem acreditar e podem me cobrar a história mais tarde porque eu faço questão de contar pra vocês.

Mas acontece que o ano acabou de começar pra valer, tem feito um calor senegalês por estas bandas de cá e finalmente parece que o trabalho vai começar a bombar. Não sei se vocês já sabem, mas montei uma produtora com mais 3 amigos e nossa relação tem ficado mais intensa. São projetos, projetos e mais projetos e no meio disso tudo eu ainda tento ganhar um troco fazendo uns programas de tv para partidos políticos. A coisa tá preta e esta crise não é marolinha nem aqui nem na China. Portanto, vou aproveitar este espaço aqui pra dizer que estou de volta e fazer minha propaganda. A Rastros Filmes está no ar. Visitem nosso site: http://www.rastrosfilmes.com.br/