Escrevo para gostar mais de mim, confesso. Entre versos transcritos, recomponho meus abraços em rimas transversas e mergulho num oceano infinito de autofagia e prosas difusas.
Leio frases rabiscadas por mim num muro qualquer, desbravo o meu mundo numa estrofe perdida, conjugo verbos infinitivos que travam-me a língua, a mesma que ora jaz leve e solta, e de onde escorre a saliva confusa, feito poema sem prumo.
Meu coração não tem jeito, abriga orações sem sujeito, dessas que batem no peito e pulsam desejos ocultos, disfarçando o gosto amargo que sinto em meus lábios quando derramas sob meus pés sua poesia abstrata, loucura concreta, correnteza de frases sincopadas que me deságuam - e levam e lavam e limpam - por dentro.
(Tenho sorte).
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