Tenho palavras guardadas em lugares secretos, mantidas à distância de um verso. Como um sopro num poema, uma prosa pequena qualquer.
Também trago rimas escondidas e estrofes confusas, onde o amor nem sempre é a matéria-prima. Porque aqui dentro de mim tudo é verbo, delírio, lira e gritaria.
Lá fora, resta o eco sobrepondo-se ao tempo e o céu a derramar-se encantos sobre meu peito farto.
Esqueço algumas frases, confesso, mas o pouco que guardo na memória me atravessa os olhos. São poesias, tanto as dores quanto as alegrias, e elas nem só a mim pertencem.
E porque sou poeta, rabisco em mim rascunhos de um pretérito imperfeito que ainda se faz presente nesta carne, neste sangue, neste corpo que hoje habito, mas que um dia a terra há de comer.
Daí, então, só me restará o silêncio.