Eu deveria me escrever mais cartas. Cartas onde eu contaria para mim mesmo tudo aquilo que ainda não disse a respeito desse que ora pensa que sou eu.
Porque nunca me importou saber, é fato.
Se sou força e também sou farsa. Soro e também veneno. Se sou grande ou sou pequeno e toda essa luz dessa fé que me cega, me guia e me assombra.
Sou o bem, sou o mal. Já fui et cetera, noutras vezes fui o tal.
Sou isso, porém nunca omisso, muito embora eu fosse tudo aquilo que eu não gostaria de ter sido. Desde o início.
Eu deveria me escrever mais cartas, confesso, me contando o que eu nem sei se eu gostaria de saber o que eu sou.
Então, eu me apressaria a me dizer o que ninguém nunca me disse. Eu repetiria, feito eco, quantas vezes o outro eu me pedisse, eu juro.
Eu não me levaria a mal.
Porque eu sou o que eu quiser.
(Você também, e daí?)